Política · Justiça

Abraji reage a tentativa de censura da campanha de Flávio Bolsonaro contra veículos independentes

Associação de jornalismo investigativo condena ação da campanha de Flávio Bolsonaro que pede a remoção de centenas de conteúdos jornalísticos no TSE.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) emitiu uma nota oficial repudiando a investida da campanha de Flávio Bolsonaro contra o ICL Notícias, o Diário do Centro do Mundo (DCM) e o portal Brasil Fora da Caverna. A entidade classificou a movimentação como uma tentativa grave de censura às vésperas do segundo turno das eleições.

A ação, protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última quinta-feira (22), exige a exclusão de 241 publicações dos referidos veículos em um prazo de apenas três horas. Além da remoção dos conteúdos, a campanha solicita que os portais sejam proibidos de realizar a cobertura de atos, agendas ou convocações relacionadas a candidaturas até o fim do pleito, uma medida que a Abraji aponta como inconstitucional.

Para fundamentar o pedido, a campanha de Flávio Bolsonaro alegou ter utilizado inteligência artificial para analisar o conteúdo dos portais. O argumento central é que a suposta falta de equilíbrio estatístico na cobertura transformaria o trabalho jornalístico em propaganda eleitoral. A Abraji, contudo, refutou a tese, destacando que a liberdade editorial é um pilar da imprensa e não se submete às regras de isonomia aplicadas à propaganda oficial.

A associação reforçou que a tentativa de descredibilizar o jornalismo com um verniz científico é preocupante. A entidade espera que a Justiça Eleitoral rejeite o pedido, garantindo o direito da sociedade ao acesso à informação e preservando a autonomia dos veículos de comunicação.

Em resumo

  • A Abraji repudiou ação da campanha de Flávio Bolsonaro que busca censurar três veículos de imprensa.
  • O pedido ao TSE exige a remoção de 241 reportagens e a proibição de futuras coberturas eleitorais pelos portais.
  • A campanha alega uso de inteligência artificial para classificar o conteúdo como propaganda, tese rejeitada pela associação de jornalistas.

Fonte: ICL Notícias

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