Política · Justiça

Aos 103 anos, ícone dos direitos humanos alerta para riscos à democracia nas urnas

Margarida Genevois, socióloga e defensora histórica dos direitos humanos, reforça a importância do voto consciente diante do cenário eleitoral brasileiro.

Foto: A defensora de direitos humanos Margarida Genevois, a dama dos direitos humanos no Brasil, que está com 103 anos e vai votar nas eleições de 2026 - Karime Xavier/Folhapress · Original e licença

Aos 103 anos, a socióloga Margarida Genevois, referência histórica na luta pelos direitos humanos no Brasil, prepara-se para exercer seu direito ao voto neste domingo (25). Com uma trajetória marcada pela resistência à ditadura militar e pela fundação da Comissão Arns, a centenária observa o atual processo eleitoral com cautela, alertando para o que define como uma perigosa banalização das ameaças ao Estado Democrático de Direito.

Em entrevista à Folha, Genevois destacou que a democracia exige vigilância constante e participação ativa da sociedade civil. Para ela, o Brasil ainda enfrenta dificuldades em levar a sério os riscos institucionais, especialmente ao avaliar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. A socióloga questiona a preservação das liberdades individuais e de expressão caso o senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado por tentativa de golpe de Estado —, chegue ao poder.

A trajetória de Genevois confunde-se com a própria história da redemocratização brasileira. Desde a atuação na Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, sob a liderança de dom Paulo Evaristo Arns, até o acolhimento de perseguidos políticos, ela sempre pautou sua vida pelo combate à violência institucional. Hoje, ela reforça que o resultado das urnas não é apenas uma alternância de poder, mas um divisor de águas para a manutenção das garantias fundamentais.

Embora reconheça que o processo eleitoral nem sempre entrega as mudanças esperadas, a socióloga insiste que o desengajamento não é uma opção. Para ela, o perigo reside nas mudanças práticas que um governo alinhado ao bolsonarismo poderia implementar, indo muito além da retórica de campanha. Em um momento de incertezas, seu voto simboliza a resistência de quem viu a democracia ser interrompida e dedicou décadas para reconstruí-la.

Em resumo

  • Margarida Genevois, aos 103 anos, vota neste domingo alertando para riscos democráticos.
  • A socióloga critica a candidatura de Flávio Bolsonaro e questiona a preservação de liberdades fundamentais.
  • A defensora dos direitos humanos enfatiza que a mudança política depende do engajamento constante de cada cidadão.

Fonte: Folha de S.Paulo

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