Decreto de Castro serviu de base para tentativa de expansão de mansão ligada a amigo de Flávio Bolsonaro
Empresa do advogado Willer Tomaz tentou ampliar imóvel em Angra dos Reis usando norma estadual revogada posteriormente; caso integra investigação da PF.

Foto: Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro Crédito: Reprodução / Redes sociais · Original e licença
Uma empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz, figura próxima ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), utilizou um decreto assinado pelo então governador Cláudio Castro (PL) para tentar ampliar uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O pedido, protocolado no Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em 20 de março de 2026, buscava dobrar a taxa de ocupação do terreno, permitindo a construção de uma residência de 726 metros quadrados com academia e cais.
A manobra baseou-se no Decreto Estadual nº 50.236/2026, que flexibilizava regras ambientais na região. A norma, contudo, teve vida curta: foi revogada em 14 de abril pelo governador interino Ricardo Couto, o que travou o avanço do projeto. Em nota, Cláudio Castro negou qualquer articulação com o advogado ou com a empresa, afirmando que o decreto possuía caráter técnico e geral.
O imóvel em questão é pivô de uma longa disputa judicial entre a empresa de Willer Tomaz e o atacante Richarlison, que alega ser o legítimo proprietário. A controvérsia envolve divergências sobre a metragem do terreno e a validade de documentos apresentados por ambos os lados. Segundo informações divulgadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e o jogador indicam que o senador tinha acesso a documentos privados sobre a venda da propriedade.
O episódio ganhou contornos mais graves com o avanço das investigações da Polícia Federal sobre as relações entre o parlamentar e o advogado. Na última sexta-feira (23), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou o bloqueio de R$ 6 bilhões em bens de Willer Tomaz e da offshore Alcazar Holdings, além da quebra de sigilos e cancelamento de passaportes. A disputa pela ilha agora faz parte do inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
Em resumo
- Empresa de Willer Tomaz tentou ampliar mansão em Angra dos Reis usando decreto estadual que flexibilizava normas ambientais.
- O decreto foi revogado semanas depois, interrompendo o pedido de expansão do imóvel.
- O local é alvo de disputa judicial entre o advogado e o jogador Richarlison, com o senador Flávio Bolsonaro citado no caso.
- O STF determinou o bloqueio de R$ 6 bilhões em bens de Willer Tomaz no âmbito de investigação da Polícia Federal.
Fonte: Brasil 247

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