Política · Justiça

Coaf detecta movimentações milionárias de Flávio Bolsonaro incompatíveis com sua renda

Relatórios do Coaf apontam que o senador movimentou R$ 1,3 milhão entre janeiro e março de 2024, valor muito acima do declarado, enquanto é investigado por elos financeiros com o advogado Willer Tomaz.

Foto: Flávio Bolsonaro – Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo · Original e licença

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma movimentação financeira de R$ 1,3 milhão nas contas do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante o primeiro trimestre de 2024. O volume de recursos, que engloba créditos e débitos, supera em mais de sete vezes a capacidade financeira declarada pelo parlamentar, conforme apontado em relatórios que agora compõem um inquérito da Polícia Federal sob supervisão do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal.

Um dos pontos que despertou a atenção dos analistas do Coaf foi uma transferência de R$ 520.277,28 efetuada em março de 2024 pelo escritório Gavioli e Viola Advogados Associados em favor do senador. O montante foi integralmente aplicado na liquidação antecipada de um financiamento imobiliário junto ao Banco de Brasília, referente à compra de uma mansão avaliada em quase R$ 6 milhões. O órgão de controle destacou que a origem e a finalidade do repasse levantam questionamentos sobre a regularidade da operação.

O escritório de advocacia envolvido no repasse já atuou em conjunto com o senador em processos no Superior Tribunal de Justiça, incluindo casos de disputa societária e a defesa de investigados na operação Faraó dos Bitcoins. Questionado sobre a transação, o sócio Bruno Gavioli Lopes limitou-se a dizer que o sigilo profissional e o código de ética da categoria impedem comentários sobre o caso. O senador Flávio Bolsonaro não prestou esclarecimentos sobre as movimentações apontadas pelo Coaf.

Além deste episódio, a Polícia Federal aprofunda as investigações sobre uma possível conexão financeira entre o senador e o advogado Willer Tomaz. O inquérito apura indícios de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e empresas de pagamento. Entre os elementos sob análise, estão registros de viagens internacionais pagas por companhias ligadas a Tomaz e documentos que apontam o senador como usuário de uma conta em uma offshore do advogado. O ministro Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de Willer Tomaz, que nega qualquer prática ilícita.

Em resumo: - O Coaf apontou que Flávio Bolsonaro movimentou R$ 1,3 milhão, valor 7,19 vezes maior que sua renda declarada. - O senador recebeu R$ 520.277,28 de um escritório de advocacia para quitar antecipadamente o financiamento de uma mansão. - A PF investiga supostos vínculos financeiros entre o senador e o advogado Willer Tomaz em um caso de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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