Investigação no STF mira finanças de Flávio Bolsonaro após alertas do Coaf
Relatórios apontam movimentações financeiras do senador incompatíveis com sua renda, incluindo o uso de repasses de escritório de advocacia para quitar mansão em Brasília e conexões com investigado por apostas.

Foto: Flávio Bolsonaro - Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP) · Original e licença
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está no centro de uma investigação no Supremo Tribunal Federal que analisa a origem de recursos utilizados em seu patrimônio. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicaram que o parlamentar realizou transações bancárias que superam em mais de sete vezes o volume financeiro compatível com os rendimentos que ele declarou oficialmente.
Um dos pontos centrais da apuração, conduzida sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, envolve a quitação antecipada de uma mansão em Brasília, avaliada em quase 6 milhões de reais. Documentos apontam que o senador recebeu mais de 520 mil reais de um escritório de advocacia, o Gavioli e Viola, pouco antes de usar o montante para abater o saldo devedor do imóvel. O Coaf destacou que a operação levanta suspeitas por ter sido direcionada especificamente para o pagamento de crédito imobiliário.
A Polícia Federal também investiga possíveis elos entre o senador e o advogado Willer Tomaz. O nome de Tomaz ganhou destaque após o Ministério da Fazenda identificar que ele teria movimentado cerca de 5 bilhões de reais em sites de apostas durante o ano de 2025, o que o colocou no topo da lista de maiores apostadores do país naquele período. O advogado, que já atuou em processos ao lado de Flávio, teve bens bloqueados por ordem judicial.
Além disso, o escritório de advocacia do próprio senador registrou um faturamento expressivo, com a emissão de notas fiscais que somaram 13,7 milhões de reais entre o início de 2023 e meados de 2026. Entre os clientes da banca, figurou um advogado que, semanas após o pagamento de honorários, foi aprovado pelo Senado para uma vaga no Conselho Nacional do Ministério Público, embora ele tenha negado qualquer relação entre os fatos.
O Coaf ainda questionou o destino de valores arrecadados em uma campanha de doações organizada pelo senador em 2025. Embora o objetivo declarado fosse auxiliar familiares de policiais, o órgão de controle identificou que parte do dinheiro foi utilizada para quitar faturas de cartão de crédito e outros gastos pessoais, o que, segundo o conselho, não condiz com a capacidade econômica informada pelo parlamentar.
Em resumo: - Relatórios do Coaf apontam que as movimentações financeiras de Flávio Bolsonaro são incompatíveis com sua renda declarada. - O senador usou repasses de um escritório de advocacia para quitar antecipadamente uma mansão de quase 6 milhões de reais. - A investigação no STF apura conexões do parlamentar com Willer Tomaz, apontado pelo governo como o maior apostador do Brasil em 2025. - O escritório de advocacia do senador faturou 13,7 milhões de reais em três anos e meio.
Fonte: Revista Fórum

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.