O assédio eleitoral persiste: MPT contabiliza centenas de denúncias após o fim da votação
O Ministério Público do Trabalho aponta uma onda de retaliações políticas contra trabalhadores e pequenos negócios logo após o segundo turno das eleições de 2026.

Foto: - Voto na urna: assédio eleitoral é crime (Fabio Pozzebom/Agência Brasil) · Original e licença
A conclusão do processo eleitoral no último domingo, dia 25, não encerrou as pressões políticas no ambiente de trabalho. Dados do Ministério Público do Trabalho revelam que, em menos de 48 horas após o fechamento das urnas, o órgão foi acionado 530 vezes para investigar casos de assédio eleitoral. Esse volume expressivo corresponde a mais de um quinto do total de 2.467 denúncias recebidas pela instituição durante todo o ano de 2026.
O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, manifestou-se sobre o cenário, enfatizando que a propriedade de um negócio não confere ao empregador o direito de controlar o voto de seus subordinados. Segundo o procurador, dispensar funcionários por causa de suas escolhas políticas é uma prática ilegal que será combatida pelo MPT junto à Justiça do Trabalho.
As medidas institucionais já estão em curso. No Paraná, o Ministério Público do Trabalho notificou o vereador e deputado federal eleito Guilherme Kilter, do partido Novo, exigindo uma retratação pública. A recomendação foi motivada por declarações do político que incentivavam empresários a demitir trabalhadores que declararam voto no presidente Lula.
Além das ameaças de demissão, o período pós-eleitoral tem sido marcado pela disseminação de listas de boicote em aplicativos de mensagens. Essas ações visam prejudicar financeiramente estabelecimentos comerciais e profissionais autônomos em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, baseando-se exclusivamente na orientação política dos proprietários.
Em resumo: - O MPT registrou 530 denúncias de assédio eleitoral em apenas dois dias após o segundo turno. - O órgão reforçou que demissões motivadas por convicção política são ilegais e serão investigadas. - O deputado federal eleito Guilherme Kilter foi alvo de recomendação formal para se retratar por incitar demissões. - Listas de boicote contra pequenos negócios e trabalhadores foram identificadas em diversos estados brasileiros.
Fonte: Revista Fórum

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