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Planalto blinda governo e trata saída de Flávio Bolsonaro como assunto da Justiça

Governo Lula orienta escalão ministerial a manter distância da fuga do senador aos EUA, focando na autonomia do Judiciário e evitando dar palco para narrativas de perseguição política.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença

A cúpula do governo federal estabeleceu uma diretriz clara para seus ministros e auxiliares: o episódio envolvendo a saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil deve ser tratado exclusivamente como uma questão de competência do Poder Judiciário e da Polícia Federal. A orientação, articulada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, busca evitar que o Executivo seja envolvido em polêmicas que possam ser exploradas pela oposição como suposta perseguição política.

A postura de distanciamento institucional visa esvaziar o discurso do parlamentar, que, após deixar o território nacional, passou a questionar a legitimidade do pleito de 2026 sem apresentar qualquer evidência. O governo avalia que qualquer manifestação pública de integrantes do primeiro escalão poderia servir de combustível para a narrativa de vitimização construída pelo senador, que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, onde o petista alcançou 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário.

A movimentação de Flávio Bolsonaro ocorreu em um cenário de pressão jurídica. O senador deixou o país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenar a entrega de seus passaportes em um prazo de 24 horas. O parlamentar, contudo, optou por sair do Brasil pela fronteira com a Argentina, em Foz do Iguaçu, seguindo posteriormente para o Equador e, por fim, para os Estados Unidos, descumprindo a determinação da Corte.

Antes de sua partida, o presidente Lula havia manifestado publicamente seu descontentamento com a atitude do senador. Em evento no Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo afirmou que a saída do país em meio a investigações sobre lavagem de dinheiro e negócios com apostas on-line seria um comportamento questionável, sugerindo que quem não possui pendências com a lei não teria motivos para se retirar do território nacional. Lula também criticou a postura da família Bolsonaro em relação a potências estrangeiras.

No campo diplomático, o Planalto adota uma postura de cautela. Apesar de declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que questionou o processo eleitoral brasileiro sem provas, o governo brasileiro optou por não escalar o conflito. A estratégia é manter o pragmatismo nas relações bilaterais, separando as investigações judiciais contra o senador dos interesses estratégicos entre Brasília e Washington, especialmente porque o resultado das urnas foi reconhecido pelo próprio Partido Liberal e pelo vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar.

Em resumo: - O governo orientou ministros a não comentar a saída de Flávio Bolsonaro para evitar desgaste político. - O senador viajou para os EUA após descumprir ordem do STF para entregar seus passaportes. - Flávio Bolsonaro contesta o resultado eleitoral de 2026 sem apresentar evidências, enquanto o PL e seu próprio vice reconheceram a derrota. - O Planalto mantém cautela diplomática para evitar tensões com a administração norte-americana.

Fonte: Brasil 247

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