Boulos rechaça chantagem do mercado e propõe taxar privilégios para equilibrar contas
Ministro da Secretaria-Geral defende que ajuste fiscal no quarto mandato de Lula foque em supersalários e desonerações, preservando investimentos sociais.

Foto: Guilherme Boulos Crédito: Secretaria-Geral da Presidência da República · Original e licença
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, subiu o tom contra as pressões do mercado financeiro por cortes de gastos no início do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro afirmou que o governo não aceitará um ajuste fiscal que sacrifique áreas essenciais como saúde e educação, classificando a cobrança por cortes lineares como uma tentativa de impor uma agenda derrotada nas urnas em 2026.
Para equilibrar as contas públicas, que registraram uma dívida de 82,5% do PIB em julho de 2026, Boulos defende uma estratégia focada no combate a privilégios. O ministro aponta que o governo pode economizar bilhões através da revisão de desonerações fiscais, que somam cerca de R$ 600 bilhões anuais, além de enfrentar os supersalários no setor público e rever o caráter impositivo de emendas parlamentares.
Boulos reconheceu que a viabilização dessas medidas exigirá negociações complexas com o Congresso Nacional. No entanto, o ministro ressaltou que a governabilidade não dependerá apenas do diálogo institucional. Segundo ele, o governo pretende combinar a articulação política com a mobilização popular nas ruas e uma atuação estratégica nas redes sociais para disputar a narrativa pública e pressionar por mudanças.
Sobre o cenário político, o ministro criticou a postura de Flávio Bolsonaro, derrotado no pleito, a quem acusou de ter deixado o país logo após o resultado das urnas. Boulos também evitou antecipar discussões sobre a sucessão presidencial de 2030 ou sua permanência no ministério, enfatizando que sua prioridade atual é garantir que o novo ciclo de Lula seja um marco histórico para o Brasil.
Em resumo
- Boulos defende o corte de privilégios e a revisão de desonerações fiscais em vez de cortes em políticas sociais.
- O governo planeja usar a mobilização popular e as redes sociais para enfrentar resistências no Congresso.
- O ministro criticou a saída de Flávio Bolsonaro do país após a derrota eleitoral.
- A prioridade do governo é consolidar o quarto mandato de Lula antes de discutir sucessões políticas.
Fonte: Brasil 247

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