Política · Economia

Crise do crédito: dívidas corporativas de R$ 700 bilhões pressionam novo governo Lula

Com juros elevados, empresas brasileiras enfrentam dificuldades financeiras e risco de aumento nas recuperações judiciais até 2027.

Foto: Banco Central Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença

O elevado endividamento do setor privado brasileiro impõe um desafio imediato ao próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, mais de R$ 700 bilhões em dívidas corporativas estão em processo de renegociação com bancos e fundos de investimento, um cenário agravado pela persistência dos juros altos no país.

Dados apontam que 26% das empresas de capital aberto já não conseguem honrar suas despesas financeiras apenas com a geração operacional de caixa. Especialistas em reestruturação empresarial alertam que, caso o custo do crédito não recue, o Brasil pode enfrentar uma nova onda de recuperações judiciais. A indústria de transformação e o comércio são os segmentos mais vulneráveis, concentrando quase metade das companhias em situação crítica.

Projeções das consultorias RGF-Bizdoc indicam que o número de empresas em recuperação judicial pode saltar de 4.581, registrado em junho de 2026, para 5.554 até o final de 2027, um crescimento de 21%. O impacto é reflexo de um ciclo de juros que atingiu 15% em 2025 e permanece em patamares restritivos, dificultando a rolagem de passivos contraídos durante o período de crédito farto entre 2016 e 2020.

Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, a solução passa pela confiança na política fiscal, que permitiria a redução da taxa Selic. Enquanto isso, o mercado observa com atenção a montagem da equipe econômica de Lula. Nomes como o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o vice-presidente Geraldo Alckmin são ventilados para o Ministério da Fazenda, em um momento em que o governo busca equilibrar a sustentabilidade das contas públicas com a necessidade de preservar o crescimento e o emprego.

Em resumo

  • Mais de R$ 700 bilhões em dívidas corporativas estão em renegociação.
  • 26% das empresas de capital aberto não cobrem despesas financeiras com o caixa operacional.
  • Projeções estimam que recuperações judiciais podem crescer 21% até o fim de 2027.
  • A definição da equipe econômica e a trajetória da Selic são cruciais para o setor produtivo.

Fonte: Brasil 247

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