Política

Como a mobilização popular e o engajamento digital definiram a vitória de Lula em 2026

Análise da Quaest aponta que a eleição presidencial de 2026 foi decidida por dois plebiscitos distintos, com virada histórica impulsionada pela redução da abstenção.

Foto: Felipe Nunes Crédito: Felipe Cautella/LIDE · Original e licença

A eleição presidencial de 2026 foi marcada por uma dinâmica singular, dividida em dois momentos distintos que moldaram o resultado final nas urnas. Segundo o diretor da consultoria Quaest, Felipe Nunes, o pleito funcionou como dois plebiscitos sucessivos: o primeiro focado na avaliação do governo Lula e o segundo centrado no julgamento sobre um possível retorno do clã Bolsonaro ao poder.

Na fase inicial, o cenário era desafiador para o governo, com o temor da continuidade da gestão superando o receio de uma volta da oposição. No entanto, a reta final da disputa trouxe uma mudança drástica na percepção pública. Com a ampliação de benefícios sociais e uma intensa mobilização nas redes sociais, o medo do retorno dos Bolsonaro passou a dominar o eleitorado, atingindo 45% contra 42% de rejeição à manutenção do governo.

O engajamento digital foi um termômetro preciso dessa virada. O Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest mostra que, enquanto Flávio Bolsonaro liderava o ambiente virtual em 3 de outubro, Lula inverteu o quadro na véspera do segundo turno, alcançando 82,7 pontos contra 76,2 do adversário.

O fator decisivo, contudo, foi a mobilização extraordinária nas urnas. O segundo turno registrou a entrada de quase 5 milhões de novos votantes em comparação à primeira etapa, reduzindo a abstenção nacional para 19,22%, o menor patamar desde 2006. Esse movimento foi especialmente forte em áreas de renda média mais baixa nas metrópoles do Sudeste, superando as previsões dos modelos tradicionais que esperavam uma abstenção maior entre esse perfil de eleitor.

Em resumo

  • A eleição foi decidida em dois tempos: um plebiscito sobre o governo e outro sobre o retorno do bolsonarismo.
  • A abstenção caiu para 19,22%, impulsionada por uma mobilização sem precedentes de eleitores jovens e de baixa renda.
  • O engajamento digital de Lula superou o de Flávio Bolsonaro na reta final, refletindo a mudança de tendência nas urnas.
  • A Quaest realiza um estudo pós-eleitoral para aprofundar a compreensão sobre essas mudanças no comportamento do eleitorado.

Fonte: Brasil 247

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