Governo Lula rechaça intervenção na Selic e busca frear especulações sobre política econômica
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou planos de tabelar juros, enquanto o PT reforça que a condução da economia segue sob comando oficial, afastando propostas externas que agitaram o mercado.

Foto: O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfrentam o desafio de equilibrar as contas públicas e preservar os investimentos sociais em 2027 Crédito: Adriano Machado/Reuters · Original e licença
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, veio a público neste domingo para desmentir rumores sobre uma possível intervenção administrativa na taxa básica de juros, a Selic. Em meio a um cenário de pressão cambial e incertezas fiscais, o titular da pasta assegurou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cogita qualquer medida de tabelamento de juros, buscando encerrar as especulações que ganharam tração nos últimos dias.
O debate foi inflamado por sugestões do economista André Lara Resende, que defende uma reestruturação na coordenação entre as políticas fiscal e monetária. O economista propõe um cronograma para reduzir a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, até o patamar de 7,5% em um intervalo de um ano. A tese central de Lara Resende sustenta que o custo elevado dos juros é o principal responsável pela trajetória de crescimento da dívida pública, que hoje atinge 82,9% do PIB, superando o impacto das despesas primárias.
Durigan foi direto ao afirmar que propostas dessa natureza não fazem parte da agenda do Palácio do Planalto. O ministro também esclareceu que não existe qualquer encontro marcado entre o presidente Lula e o autor da proposta. Segundo o governo, embora diversos especialistas tenham mantido diálogos com o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, não há uma interlocução direta prevista para discutir mudanças estruturais na política monetária.
A repercussão das ideias de Lara Resende gerou divisões internas. Enquanto a ex-ministra Gleisi Hoffmann manifestou apoio ao conteúdo do artigo do economista, classificando-o como uma ferramenta importante contra o que chamou de ofensiva terrorista no campo fiscal, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, adotou um tom crítico. Silva afirmou que especulações econômicas apenas favorecem interesses de oportunistas do mercado e reforçou que a única voz autorizada a tratar da política econômica do governo é o ministro Dario Durigan.
O governo enfrenta agora o desafio de definir a equipe econômica para o mandato que começa em janeiro de 2027. Nomes como o do governador do Piauí, Rafael Fonteles, circulam nos bastidores, e aliados do presidente pressionam por uma definição célere para acalmar os agentes financeiros e sinalizar as prioridades fiscais do próximo ciclo. Em resumo: - O ministro Dario Durigan descartou qualquer possibilidade de tabelamento da taxa Selic pelo governo. - Não há reuniões agendadas entre o presidente Lula e o economista André Lara Resende. - A dívida bruta brasileira está em 82,9% do PIB, enquanto a Selic permanece em 13,75% ao ano. - A cúpula do PT enfatizou que apenas o ministro da Fazenda possui autoridade para falar em nome da política econômica oficial.
Fonte: Brasil 247

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