Eleições nos EUA: Vitória democrata pode frear ofensiva de Trump contra o Brasil
O pleito legislativo norte-americano desta terça-feira pode impor limites ao governo Trump, impactando sanções e a postura diplomática em relação ao Brasil.

Foto: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) posa para foto com Donald Trump na Casa Branca – 29.mai.26/@flaviobolsonaro no Instagram · Original e licença
Os Estados Unidos realizam na próxima terça-feira (3) eleições cruciais para o futuro do governo Donald Trump. O pleito definirá o controle do Congresso pelos próximos dois anos, em um momento marcado pela baixa popularidade do presidente republicano, o aumento do custo de vida e o desgaste político gerado pela guerra contra o Irã. Uma eventual vitória do Partido Democrata pode representar um obstáculo significativo às medidas de retaliação que a Casa Branca tem imposto ao Brasil desde a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Atualmente, os republicanos detêm a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. Para reverter esse cenário, os democratas precisam conquistar ao menos quatro assentos adicionais em cada casa. Embora pesquisas, como a da Reuters/Ipsos, indiquem uma vantagem democrata na preferência nacional, a distribuição de cadeiras depende de disputas estaduais e distritais específicas, onde o sistema eleitoral norte-americano impõe desafios estruturais, como o gerrymandering e exigências documentais que dificultam o voto de minorias.
A política externa de Trump em relação ao Brasil tem sido marcada por sanções, tarifas comerciais e apoio explícito à família Bolsonaro. A recente entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, mesmo após ordens judiciais brasileiras para a entrega de seus passaportes, gerou forte reação de parlamentares democratas. Um grupo de 25 deputados já cobrou explicações do Departamento de Estado sobre a concessão de vistos e o possível uso de recursos diplomáticos para facilitar a fuga do senador.
Especialistas apontam que, caso os democratas conquistem a maioria legislativa, o Congresso ganharia maior poder de fiscalização sobre o Executivo, podendo restringir o uso de sanções e tarifas. Contudo, a capacidade de reverter decisões de Trump é limitada pelo poder de veto presidencial e pela influência de grandes grupos econômicos que financiam ambos os partidos. A expectativa no Itamaraty é que um Congresso mais equilibrado possa, ao menos, oferecer um contrapeso necessário às pressões da Casa Branca.
Em resumo
- As eleições de meio de mandato renovam a totalidade da Câmara e parte do Senado, podendo alterar a correlação de forças em Washington.
- Parlamentares democratas investigam a acolhida de Flávio Bolsonaro por Trump, questionando o uso de recursos diplomáticos.
- A insatisfação popular com a economia e o custo da guerra contra o Irã pressionam a base republicana.
- Uma maioria democrata no Legislativo permitiria maior fiscalização sobre sanções e políticas externas contra o Brasil.
Fonte: ICL Notícias

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