Política · Justiça

O peso das regras: por que a votação recorde de Erika Hilton não se traduziu em mais cadeiras

Análise mostra como o sistema proporcional e a falta de candidatos com votação mínima impediram o PSOL de ampliar sua bancada em 2026.

Foto: - Erika Hilton em reunião da comissão de Defesa dos direitos da Mulher (Lula Marques/ Agência Brasil) · Original e licença

A votação expressiva de Erika Hilton (PSOL) nas eleições de 2026, que somou 1.596.472 votos, colocou em evidência as complexidades do sistema proporcional brasileiro. Embora a parlamentar tenha alcançado a terceira maior votação individual do país para a Câmara dos Deputados, o desempenho não foi suficiente para converter o capital político da federação PSOL-Rede em mais assentos no Legislativo paulista.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação obteve cerca de 3,06 milhões de votos em São Paulo, montante que, teoricamente, corresponderia a nove quocientes eleitorais. Contudo, apenas seis candidatos atingiram a cláusula de desempenho individual — que exige ao menos 10% do quociente eleitoral de 338.203 votos. Com isso, a legenda deixou de ocupar três vagas que, matematicamente, poderiam ter sido preenchidas.

Uma simulação realizada pelo Radar do Voto aponta que o cenário seria distinto caso houvesse uma federação ampliada entre PSOL, Rede, PT, PCdoB e PV. Nesse modelo, a redistribuição de votos permitiria um aproveitamento mais eficiente das urnas, resultando em dez mudanças de mandatos em todo o país, sendo cinco na Câmara Federal e cinco em Assembleias Legislativas.

A análise indica que, embora a união de forças pudesse beneficiar nomes como Renato Roseno (CE) e Tarcísio Motta (RJ), o impacto seria heterogêneo. Em São Paulo, a configuração alteraria a ocupação de cadeiras, favorecendo petistas como Rui Falcão e Paulo Teixeira, enquanto outros nomes, como Sônia Guajajara, poderiam perder seus assentos devido à dinâmica de ocupação das vagas dentro da federação.

Em resumo

  • A exigência de votação nominal mínima de 10% do quociente eleitoral impediu que o PSOL convertesse votos em mais três cadeiras em São Paulo.
  • Uma federação ampliada com o PT e aliados teria alterado a distribuição de dez mandatos em todo o Brasil.
  • O sistema proporcional prioriza a votação individual dentro da federação, o que pode resultar em trocas de cadeiras entre partidos aliados em simulações de coligação.

Fonte: Revista Fórum

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