Política

Lulismo transcende Lula e se consolida como cultura política, aponta historiador

Professor da USP Lincoln Secco analisa a permanência do lulismo, a desconexão da cúpula petista com novas demandas sociais e os desafios do governo.

Foto: Presidente Lula e a bandeira do Partido dos Trabalhadores Crédito: Ricardo Stuckert/PR · Original e licença

O lulismo deixou de ser apenas uma corrente partidária para se consolidar como uma cultura política duradoura no Brasil. Segundo o historiador e professor da USP Lincoln Secco, em entrevista ao jornal O Globo, o fenômeno possui fôlego para sobreviver ao ciclo biológico do presidente Lula, guardando semelhanças com o peronismo argentino ao abrigar vertentes que vão da esquerda radical ao centro.

Para o autor de 'História do PT', a dinâmica política atual revela um distanciamento entre a burocracia do partido e as novas formas de mobilização popular. Secco destaca que pautas de grande apelo, como o fim da escala 6x1, ganharam força através de lideranças externas às estruturas tradicionais da legenda e das centrais sindicais. O historiador observa que, embora o PT tenha servido como o principal instrumento para nuclear o engajamento popular recente, a juventude atual mantém um vínculo menos orgânico com a sigla do que nas décadas passadas.

O especialista também alerta para os riscos de uma leitura equivocada sobre o mundo do trabalho contemporâneo. Ao criticar a resposta do governo baseada na ideologia do empreendedorismo, Secco ressalta que o PT precisa dialogar com a complexidade da classe trabalhadora, que ainda mantém setores industriais robustos, apesar da relevância dos trabalhadores de aplicativos.

Em resumo

  • O lulismo é definido como uma cultura política perene, comparável ao peronismo.
  • Há uma desconexão entre a cúpula petista e movimentos sociais que surgem fora do partido.
  • O governo enfrenta o desafio de conciliar promessas de campanha com um Congresso de perfil conservador.
  • O historiador critica a falta de sintonia do PT com as novas demandas trabalhistas.

Fonte: Brasil 247

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