O fim da indexação: Monica de Bolle defende proposta de Lara Resende para reduzir custo da dívida
Economista Monica de Bolle apoia a tese de André Lara Resende de desindexar a dívida pública brasileira para enfrentar o peso dos juros pós-fixados.

Foto: Economista ultraliberal que combateu os governos do PT, apoiou o golpe contra Dilma e a política econômica do governo Michel Temer, Monica de Bolle avalia que a recente desvalorização do real é uma "reação retardada" do mercado ao reconhecimento de que a recuperação brasileira não é tão sólida quanto aparentava Crédito: Leonardo Lucena · Original e licença
A economista Monica de Bolle saiu em defesa da proposta do estudioso André Lara Resende, que sugere uma mudança estrutural na gestão da dívida pública brasileira. O foco central da ideia é a desindexação dos títulos públicos, reduzindo a dependência das taxas de juros pós-fixadas, especialmente a Selic. Segundo a analista, o Brasil esgotou sua capacidade de conviver com um endividamento atrelado a juros que sobem automaticamente conforme a política monetária.
A proposta de Lara Resende, que defende a redução da Selic para cerca de 7,5%, busca romper com o mecanismo onde o aumento da taxa básica de juros eleva, de forma imediata, o custo de financiamento do governo. De Bolle argumenta que, embora o Plano Real tenha sido bem-sucedido ao combater a hiperinflação e desindexar salários e preços, o sistema financeiro manteve ativos atrelados a indicadores que impedem uma estabilização plena.
O cenário atual é de preocupação fiscal: em setembro de 2026, a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 11,1 trilhões. Com um custo médio de 12,68% ao ano registrado em junho, o peso dos juros sobre o orçamento é expressivo. Para a economista, a resistência do mercado financeiro e de outros setores em compreender a proposta reflete a dificuldade de abandonar as ferramentas de proteção criadas durante as décadas de inflação elevada.
Ao contrário da visão convencional, que teme que juros menores gerem inflação, a tese de Lara Resende sustenta que a redução da Selic poderia diminuir as despesas com a dívida, acalmando o mercado e favorecendo a permanência de capitais no país, o que ajudaria a controlar o câmbio e, consequentemente, os preços. A discussão, divulgada pelo Projeto Contraponto, coloca em xeque a forma como o Brasil financia seu Estado.
Em resumo
- Monica de Bolle defende a desindexação da dívida pública para reduzir o impacto da Selic no custo de financiamento do governo.
- A proposta de André Lara Resende sugere baixar a taxa básica de juros para 7,5%.
- A dívida bruta brasileira alcançou R$ 11,1 trilhões em setembro de 2026, com custo médio anual de 12,68% em junho.
Fonte: Brasil 247

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.