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18/5/2020 10:55

Relator da Furna da Onça no TRF2 admite que as autoridades decidiram não deflagrar a operação durante campanha eleitoral

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4488 visitas - Fonte: GGN

Relator da Furna da Onça no TRF2, o desembargador Abel Gomes rompeu o silêncio e publicou uma nota no domingo (17) admitindo que as autoridades decidiram não deflagrar a Operação Furna da Onça em meio à disputa presidencial que acabou elegendo Jair Bolsonaro para não passar a “falsa percepção” de que a investigação tinha “motivações políticas”.

“O fundamento foi que uma operação dirigida a ocupantes de cargos eletivos, deputados em vias de reeleição inclusive, como foi a Furna da Onça, não deveria ser deflagrada em período eleitoral, visto que poderia suscitar a ideia de uso político de uma situação que era exclusivamente jurídico-criminal, com o objetivo de esvaziar candidatos ou até mesmo partidos políticos, quaisquer que fossem, já que os sete deputados alvos da Furna da Onça eram de diferentes partidos”, afirmou Gomes.


Flávio Bolsonaro não era alvo da Furna da Onça. Porém, para provar delações premiadas contra deputados e assessores delatados no esquema Cabral, a Lava Jato do Rio anexou aos autos daquela operação o relatório do Coaf que citava movimentações suspeitas de funcionários da Assembleia do Rio. Dessa forma, Fabrício Queiroz e outros nomes do gabinete de Flávio apareceram no relatório.

Segundo informações da Folha, o empresário Paulo Marinho, ligado a Bolsonaro, revelou que um delegado do RJ procurou o gabinete de Flávio para informar que a Furna da Onça seria deflagrada, e recomendar “providências”, como exonerar imediatamente Queiroz e outros assessores investigados.

A Furna da Onça foi deflagrada em 8 de novembro. Em 6 de dezembro, o Estadão divulgou matéria especificamente sobre o caso Queiroz, com base no relatório do Coaf.


O GGN mostrou em primeira mão que, àquela altura, o Ministério Público estadual, que investiga as rachadinhas de Queiroz, já tinha outros relatórios do Coaf sobre Queiroz e aliados. E sabia, também, da ligação do miliciano Adriano Nóbrega – suspeito de participar da execução de Marielle Franco – com o gabinete de Flávio.

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