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O fazendeiro dono da chácara, no Distrito Federal, que abrigava grupos extremistas de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), é investigado pela Polícia Civil por injúria e ameaça contra o governador Ibaneis Rocha (MDB). A propriedade em nome de André Luís Bastos de Paula Costa fica na região de Arniqueira, a cerca de 20 quilômetros da Praça dos Três Poderes, e foi alvo de uma operação neste domingo (21).
Em 13 de junho, o empresário gravou um vídeo com ofensas contra o governador do DF. Na gravação, ele chama o chefe do Executivo local de "agiota safado"
"Nós vamos te pegar, seu safado. Nós estamos aí para defender o presidente, o recado está dado."
Apesar da investigação, a Polícia Civil informou ao G1 que o governador não prestou queixas sobre o caso.
Ameaças contra autoridades
André é um dos investigados no inquérito que apura ameaças contra autoridades, crimes contra a honra, porte ilegal de armas e milícia privada (entenda mais abaixo).
Nesta segunda-feira (22), o delegado Leonardo Castro, da Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor), afirmou que o fazendeiro será intimado para depor, "mas ainda sem previsão de data".
“A suspeita é de que ele seja um financiador e também tem realizado manifestações, mas o fato ainda a ser confirmado é sobre ele ter disponibilizado o imóvel para a reunião."
Operação na chácara
No domingo (21), uma operação da Polícia Civil apreendeu fogos de artifício, anotações com planejamento de ações e discursos, cartazes, celulares e um cofre na chácara usada por três grupos de extremistas. A propriedade está em nome de André Costa.
Segundo o delegado, a ação corre paralelamente ao inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), que apura atos antidemocráticos.
De acordo com o delegado, "existem crimes que são da Polícia Federal e da Justiça Federal, e outros crimes cometidos que devem ser apurados pela Polícia Civil do Distrito Federal".

Operação da Polícia Civil contra grupos de extremistas no Distrito Federal — Foto: Arte G1
O policial explicou que "a Cecor está apurando os crimes cometidos relacionados a autoridades locais, a jornalistas, profissionais de saúde e pessoas que estavam próximas a manifestações e acabaram sofrendo agressões verbais e injúrias". A investigação começou no dia 26 de maio.
As informações e as provas poderão ser compartilhadas com a Polícia Federal, "se houver algo na esfera federal", apontou o delegado.
O mandado de busca na chácara de Arniqueira foi concedido na noite de sexta-feira (19) pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). Conforme Leonardo Castro, os integrantes dos grupos são investigados por milícia privada, ameaças e porte de armas. Ninguém foi preso.
Forte esquema de segurança
Há duas casas no terreno usadas como "bases de apoio para os grupos", disse o delegado Leonardo Castro. Ao G1, o policial afirmou que acredita que o local era usado para receber pessoas de outros estados, para reuniões e planejamento de ações.
No local. foram apreendidos manuscritos com esquemas e croquis. "Nós investigamos crimes. Essas pessoas vêm se manifestando e, às vezes, ultrapassando o limite da liberdade de expressão e comentando crimes contra honra, ameaças. Quando ultrapassa esse limite isso passa ser crime", disse o delegado.
O imóvel tem câmeras de segurança que cobrem toda a sua extensão. "O local tem um imenso aparato de segurança", apontou o delegado. Segundo ele, há um muro e um portão reforçados.
A polícia encontrou barracas instaladas no terreno e dois hóspedes, em uma das casas. Conforme os investigadores, eles estavam na capital federal para participar de atos de apoio ao governo Bolsonaro. No entanto, os policiais não disseram de onde vieram os dois homens.
Sara Giromini
A chefe de um dos grupos de extrema-direita que estavam concentrados na chácara de Arniqueira, Sara Giromini, está presa desde o início da semana passada por ordem do ministro Alexandre de Morais, do STF.
O ministro determinou a prisão como parte das investigações do inquérito – aberto a pedido da Procuradoria Geral da República – que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos. Um dos elementos que pesam contra o grupo de Sara é a movimentação pela captação de recursos, inclusive, a partir de uma vaquinha online para financiar as ações.
Além de Sara, outras cinco pessoas tiveram a prisão provisória prorrogada com base na investigação sobre atos antidemocráticos praticados em Brasília.
Acampamento na Esplanada
Desde maio passado, a região da Esplanada dos Ministérios havia se tornado local de acampamento para grupos extremistas que apoiam o presidente Jair Bolsonaro. Em junho, a Polícia Militar do DF desmontou os acampamentos, após uma determinação do governador do Distrito Federal.
Conforme o GDF, a desocupação vinha sendo negociada. O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) já havia pedido ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) a desmobilização do acampamento de apoiadores do presidente. O órgão compara o movimento a uma "milícia armada". No entanto, a solicitação foi rejeitada.
Ao julgar o pedido do MP, o juiz Paulo Afonso Cavichioli Carmona entendeu que a restrição "não é idônea [íntegra] para garantir a sobrevivência da liberdade de pensamento, da liberdade de locomoção e ao direito de reunião".
Os promotores chegaram a ingressar novos documentos em recurso para tentar, mais uma vez, desmobilizar o acampamento. A pedido do MP, a Polícia Civil passou a investigar integrantes.
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