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25/9/2020 15:27

Envolvida em escândalo, Michelle Bolsonaro decide processar grupo musical

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2046 visitas - Fonte: Veja

O cabelo repicado e na altura do ombro foi substituído por um long bob mais curto, ornado com um franjão lateral e pontas desfiadas. As luzes deram um ar mais jovial, mais moderno. Aos 38 anos, Michelle Bolsonaro também se submeteu a uma harmonização facial e contratou um assessor para melhorar sua performance durante as cerimônias de trabalho — muito tímida, ela ainda patina nos quesitos postura e oratória. Em eventos oficiais, as roupas mais justas começaram a ceder lugar a blazers bem cortados, assinados pelo estilista Ricardo Almeida, saias lápis acompanhadas de blusas de seda e vestidos longos e esvoaçantes. Para os comuns, cada peça dessas pode custar até 3 500 reais. Para a primeira-dama, nenhum centavo. O costureiro, que já foi responsável pelos ternos do ex-presidente Lula, diz que presentear autoridades com modelitos de sua coleção funciona como um senhor cartão de visita. “A Michelle é educada, bonita e elegante”, diz Almeida. “Não vejo a oferta das peças como cortesia, e sim como uma troca”, ressalta. A transformação da primeira-dama vai além da visual.

Recentemente, Michelle apareceu como personagem lateral do barulhento inquérito que investiga um suposto esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do presidente. Ao quebrar o sigilo bancário do ex-policial Fabrício Queiroz, apontado como o operador dos desvios, o Ministério Público encontrou depósitos feitos por ele e a esposa na conta da primeira-dama que somaram 89 000 reais. O episódio deixou Michelle indignada. A repercussão, especialmente nas redes sociais, provocou uma radical mudança de postura. A esposa passou a estrelar memes, foi alvo de xingamentos, recebeu ameaças e começou a ser chamada de “Micheque”. De acordo com um levantamento feito pela consultoria Quaest, o apelido foi replicado quase 9 milhões de vezes no Facebook, Twitter e Instagram entre os dias 22 de agosto e 21 de setembro. “A grande fragilidade de imagem do governo está associada à sua família. A campanha do ‘Micheque’ pegou e funcionou porque é produzida para a linguagem de internet, que é mais leve, simples e sarcástica”, afirma Felipe Nunes, cientista político e diretor do instituto.

Antes silenciosa, Michelle, desta vez, se prepara para uma guerra que pretende travar contra seus detratores virtuais. Assessores da família presidencial têm passado um pente-fino nas redes sociais montando um enorme acervo com todos os ataques que a primeira-dama sofreu nas últimas semanas. A ideia é gerar uma onda de processos. Até uma banda de rock está na mira. Logo depois da divulgação dos depósitos, o grupo Detonautas gravou uma sátira que já teve quase 700 000 visualizações no YouTube. Diz a canção: “Hey, Michelle, conta aqui para nós. A grana que entrou na sua conta é do Queiroz?”, enquanto o clipe mostra imagens de gado (como são chamados nas redes os apoiadores de Bolsonaro) e de laranjas. Os assessores da primeira-dama veem crime de injúria e difamação.


“MICHEQUES” - Segundo a consultoria Quaest, entre 22 de agosto e 21 de setembro houve quase 9 milhões de publicações em que a primeira-dama foi tratada de forma pejorativa. Ela quer processar os responsáveis.

O caso também provocou fissuras no Palácio da Alvorada. Dura com o marido, Michelle exigiu que ele tirasse o problema de suas costas. O presidente até chegou a ensaiar uma resposta no fim de agosto, quando listou entre os tópicos que abordaria em sua live semanal a explicação sobre os depósitos na conta da companheira. “Botar um ponto-final na questão envolvendo Queiroz e a primeira-dama”, previa o roteiro. Ao lado da ministra Damares Alves, o presidente falou por quase uma hora sobre os mais diversos temas, mas nem tocou no assunto dos pagamentos à mulher. A citação da primeira-dama no caso Queiroz também tira o presidente do sério. Recentemente, ao ser questionado por um jornalista sobre o motivo do pagamento a Michelle, Bolsonaro disse que tinha vontade de “encher a sua boca de porrada”. Se gostaria de manter a mulher longe dos holofotes, o presidente conseguiu o efeito contrário. Após a reação explosiva, uma publicação, repetida inclusive por celebridades, tomou conta das redes sociais: “Presidente, por que a sua esposa recebeu 89 000 reais de Fabrício Queiroz?”.

Um mês depois, Bolsonaro pretende esclarecer o caso. Nos últimos dias, o presidente e seus assessores fizeram uma varredura em extratos de suas contas bancárias. O esforço é para comprovar a versão de que os pagamentos da família Queiroz eram decorrentes de um empréstimo informal que o ex-assessor pediu a Bolsonaro. Essa foi a primeira explicação que o presidente deu quando a notícia sobre os depósitos iniciais veio à tona, em 2018. À época, sabia-se apenas de transferências de Queiroz para Michelle no valor de 24 000 reais. Bolsonaro, então, afirmou que o total era maior e que seria referente a um dinheiro que Queiroz lhe pediu emprestado. Interlocutores do presidente afirmam que “muito em breve” ele vai apresentar os comprovantes que sustentam a explicação original. Ao levantar extratos antigos, o presidente pretende provar que os 89 000 reais saíram de suas contas como empréstimo ao amigo Queiroz e a quitação da dívida se deu através da conta da esposa.



Sempre discreta, Michelle se manteve praticamente invisível nos dois primeiros anos do governo. Mas isso também deve mudar. O maquiador uruguaio Agustin Fernandez se tornou um dos principais confidentes da primeira-dama. Influenciador digital, ele conta com quase 3 milhões de seguidores em uma de suas redes sociais e vem ajudando Michelle a definir agendas e estratégias que lustrem a sua imagem. Uma dessas incursões ocorreu neste mês, quando a primeira-dama visitou a Casa Rosa, uma instituição destinada a atender o público LGBT em situação de vulnerabilidade social e psicológica. “O Bolsonaro já se mostrou homofóbico e contra a causa gay. Tive de explicar aos nossos colaboradores o motivo de ter recebido a primeira-dama”, conta Marcos Tavares, fundador do local. A impressão que ele ficou de Michelle, diz, é diferente da que o marido carrega. “Ela conhece a causa e o movimento gay. Isso está no olhar dela, no jeito de falar”, afirma. Ao grupo, Michelle prometeu entregar mais de 1 000 cestas básicas até dezembro e fornecer cursos de capacitação e graduação. Também partiu de Agustin a ida de Michelle a um centro de adoção de cachorros de rua. A primeira-dama acabou levando para casa dois cães vira-latas — um aguardava adoção fazia quase um ano e o outro, cego, era tratado no abrigo como um que dificilmente ganharia um novo dono. O cão deve ser submetido a uma cirurgia para tentar reverter a cegueira nos próximos dias. Os dois já ganharam um perfil nas redes sociais. Durante a pandemia, Michelle também distribuiu sabonetes, alimentos e agasalhos a moradores de rua, visitou desabrigados em um hotel provisório, participou de uma campanha de doação de sangue e representou o presidente em eventos sociais — tudo devidamente fotografado, divulgado em redes sociais e acompanhado milimetricamente por institutos que medem o alcance e a popularidade de cada uma das postagens. A primeira-dama mudou.

Veja o post do artista Tico Santa Cruz:



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