Em Davos, Donald Trump inaugura "Conselho da Paz" sob críticas à ONU

Portal Plantão Brasil
22/1/2026 16:17

Em Davos, Donald Trump inaugura "Conselho da Paz" sob críticas à ONU

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou o Fórum Econômico Mundial, em Davos, como palco para inaugurar oficialmente o seu "Conselho da Paz" voltado para a Faixa de Gaza. Com o estilo agressivo que marca sua diplomacia, o republicano não poupou ataques à ONU, afirmando que a organização falhou em encerrar conflitos que ele clama ter resolvido sozinho. "Vamos fazer tudo o que quisermos", disparou Trump, sinalizando que o novo órgão terá ampla liberdade de ação, operando de forma paralela — e por vezes confrontando — o sistema multilateral tradicional.

O objetivo declarado do conselho é ambicioso e controverso: transformar o enclave palestino em uma região "desmilitarizada, propriamente governada e lindamente reconstruída". Trump afirmou que 59 países já estão comprometidos com a iniciativa, um número significativamente maior que os 35 divulgados inicialmente pela Casa Branca. Entre os nomes de peso que aceitaram o convite estão o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, além de líderes de países estratégicos como Catar, Egito e Argentina, representada por Javier Milei.

Um dos pontos mais polêmicos do projeto é a exigência de desarmamento total do Hamas, cujos membros Trump descreveu como pessoas que "nascem com armas nas mãos". Especialistas internacionais veem a proposta com ceticismo, alertando que a viabilidade de tal medida é baixa sem um acordo político profundo. Além disso, Trump minimizou os bombardeios recentes em Gaza, que continuam deixando vítimas civis e jornalistas, classificando a situação atual como "pequenos incêndios" que seu conselho apagará "facilmente".

No Brasil, o convite feito ao presidente Lula ainda não teve resposta oficial. O Itamaraty trata o assunto com cautela, já que a participação no conselho significaria, na prática, validar uma estrutura que busca esvaziar o papel da ONU, fórum que o Brasil historicamente defende como central para a paz mundial. A decisão deve ser tomada na próxima semana, equilibrando o desejo de participar da reconstrução humanitária com a resistência a uma ordem internacional chefiada exclusivamente pelo interesse norte-americano.

O Conselho de Paz de Trump prevê mandatos de três anos para seus membros, com uma cláusula curiosa: a possibilidade de assento permanente mediante uma contribuição financeira de US$ 1 bilhão, valor que seria destinado à reconstrução de Gaza. Analistas apontam que a iniciativa faz parte de uma estratégia maior para consolidar Trump como o grande mediador global, após ele afirmar ter encerrado oito guerras desde que reassumiu a presidência em 2025, embora muitos desses conflitos ainda registrem focos ativos de violência.

A movimentação em Davos reconfigura as peças da geopolítica internacional. Enquanto países europeus como França e Reino Unido demonstram preocupação com a presença russa e a marginalização da ONU, o eixo liderado por Trump avança com um plano que mistura diplomacia, força militar e investimentos bilionários. A "paz de Trump" para Gaza é, acima de tudo, um teste para a hegemonia dos Estados Unidos em um mundo que parece cada vez mais distante do consenso das Nações Unidas.

Com informações do UOL

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