153 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A caminhada dos aliados de Jair Bolsonaro rumo à capital federal atingiu um novo patamar de excentricidade e apelo visual. Enquanto as lideranças políticas do movimento, como o deputado Nikolas Ferreira e o ex-vereador Carlos Bolsonaro, foram flagrados desfrutando do conforto de hotéis de alto padrão em Cristalina (GO), a base militante radicaliza o discurso do sacrifício. Um manifestante viralizou ao se juntar ao grupo carregando uma pedra de cerca de 20kg amarrada ao pescoço, simbolizando o que chamam de "fardo" da perseguição política.
Essa estética do martírio não é por acaso. No universo da extrema-direita, o uso de símbolos de dor física — como correntes, pedras ou longas caminhadas sob o sol — serve para validar a narrativa de que o grupo está sendo "supliciado" pelo Judiciário. O problema é que o contraste entre o "povo" carregando pedras e os políticos viajando de carro para dormir em suítes luxuosas expõe a natureza manipulatória da mobilização. É o sacrifício de uns alimentando o engajamento digital de outros.
A cena do homem com a pedra no pescoço evoca imagens religiosas de penitência, tentando transformar um processo judicial por tentativa de golpe em uma questão de fé e perseguição espiritual. Para analistas, esse tipo de comportamento beira o fanatismo e serve como cortina de fumaça para as provas criminais que mantêm o ex-presidente na Papudinha. Enquanto o militante coloca sua saúde em risco na rodovia, a cúpula do PL monitora as métricas de redes sociais, calculando o ganho político de cada imagem chocante produzida no asfalto.
O episódio da pedra é o ápice do "atrativo de cliques" (clickbait) político. Ele garante que a caminhada continue nas manchetes, mesmo após ser desmascarada como um deslocamento majoritariamente feito de carro e com o auxílio de inteligência artificial para simular multidões. A radicalização visual é o último recurso para manter a militância acesa, transformando uma manifestação política em um espetáculo de horrores que busca, a todo custo, constranger o Supremo Tribunal Federal por meio do sensacionalismo.
No fim, a caminhada se revela um mosaico de contradições: de um lado, a elite do partido usufruindo de privilégios e logística VIP; do outro, a base operando em um nível de alienação que a leva a encenar torturas físicas em plena BR-040. A chegada a Brasília, prevista para o dia 25, promete ser o encerramento desse teatro, onde o suor e o peso das pedras dos apoiadores servirão de palco para os discursos de quem, na verdade, não caminhou nem metade do trecho que jurou percorrer.
Assista:
Quando a gente pensa que já viu toda loucura desses bolsonaristas, eis que aparece um pra superar. Esse ai colocou uma pedra de 20kg no pescoço e vai encontrar os demais e caminhar até BSB.
— Cídya Mara?? (@arc_maiana) January 22, 2026
Socorro!! ???? pic.twitter.com/n3mvCmWMHB