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28/9/2020 20:55

Fundador do Pactual já prevê calote da dívida interna

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2718 visitas - Fonte: Brasil 247

Em artigo divulgado nesta segunda-feira (28), o banqueiro Luiz Cezar Fernandes, um dos fundadores do banco Pactual, alerta que o Brasil poderá decretar um calote em sua dívida pública.


Fernandes diz que a dívida pública interna atingirá 100% do Produto Interno Bruto do País já na posse do próximo governo. "A situação será insustentável, gerando uma completa ingovernabilidade", alerta.

"Para evitarem uma corrida bancária, as grandes instituições bancárias terão, obrigatoriamente, que impedir seus clientes de efetuarem os saques de suas poupanças à vista ou a prazo. Caso contrário, teremos uma situação ainda mais grave que a vivida hoje pela Venezuela", acrescenta o banqueiro, ao defender o aprofundamento de medidas neoliberais para evitar o calote.


A cautela de agentes do mercado com o descalabro fiscal do país fez o Ibovespa ampliar queda nesta segunda-feira (28). O Ibovespa caiu 2,41%, a 94.666,37 pontos, menor nível desde 26 de junho, quando fechou a 93.834,49 pontos. O volume financeiro da sessão somou 27,44 bilhões de reais. Já o dólar à vista fechou em alta de 1,46%, a 5,6351 reais na venda. É o maior patamar desde 20 de maio (5,6902 reais), período no qual a moeda vinha batendo sucessivos recordes.

A dívida pública federal do Brasil subiu 1,56% em agosto sobre julho, a 4,412 trilhões de reais, divulgou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira. No mesmo período, a dívida pública mobiliária interna teve avanço de 1,35%, a 4,174 trilhões de reais.

Leia, abaixo, o artigo na íntegra:

Aperte o bolso: o calote vem aí

Por Luiz Cezar Fernandes

O próximo governo se sentirá seduzido, inevitavelmentel, por um calote na dívida pública

O crescimento da dívida pública interna atingirá 100% do Produto Interno Bruto – PIB do Brasil, já na posse do próximo governo. A situação será insustentável, gerando uma completa ingovernabilidade.

Os bancos, hoje cartelizados em 5 grandes organizações, têm diminuído assustadoramente os empréstimos ao setor privado e vêm aumentando, em proporção inversa, a aplicação em títulos da dívida pública.

Os países que recentemente entraram em default, como a Grécia, não causaram grandes impactos internos, pois sua dívida era sobretudo externa e em grande parte pulverizada, inclusive em bancos centrais, fundos mútuos e de pensão.

O caso do Brasil é essencialmente diverso. Um default nossa dívida interna implicará na falência do sistema, atingindo de grandes bancos a pessoas físicas, passando por family offices e afins. Para evitarem uma corrida bancária, as grandes instituições bancárias terão, obrigatoriamente, que impedir seus clientes de efetuarem os saques de suas poupanças à vista ou a prazo. Caso contrário, teremos uma situação ainda mais grave que a vivida hoje pela Venezuela.

A sociedade brasileira ainda acha que o governo nunca deu e nunca dará um calote, mas a memória é curta. Na década de 80, o default foi disfarçado, pois títulos como os da Eletrobrás, do Instituto do Açúcar e Álcool – IAA e da Superintendência Nacional de Marinha Mercante - Sunamam, entre outros, restaram insolventes, criando as famosas ‘moedas podres’.

Ainda, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS, que deveria ser uma proteção ao trabalhador quando demitido, vem sendo sistematicamente confiscado ao dos últimos anos, sem qualquer contestação dos sindicatos. Sua remuneração equivale hoje a metade da taxa da caderneta de poupança, implicando, na prática, um confisco de mais de 50% de seu patrimônio nos últimos 15 anos. Mais recentemente ainda foi criado mais um confisco de 10% pelo Tesouro Nacional, aumentando para 50% o valor a ser recolhido em caso de demissões sem justa causa.

Existem também outros confiscos que nem são percebidos. Um exemplo é o “CIDE”, que foi criado para a manutenção da malha viária, mas que não teve nenhum centavo de seus recursos aplicado nos seus propósitos originários. O Imposto Sobre Operações Financeiras - IOF - é outra aberração, que impediu o crescimento do mercado de dívidas privadas e tem auxiliado na altíssima concentração no setor bancário das dívidas privadas, que já superam o limite de 92% de todo o crédito no Brasil.

Alheio às medidas governamentais, o mercado das “factorings”, hoje travestidas de Fundos de Direitos Creditórios - FIDCS , ocuparam a parte remanescente desse mercado. Agora, com o IOF, o Governo ataca mais uma vez o rendimento destes fundos, dificultando ainda mais o crescimento do mercado de crédito.

Não há mais o que se tributar e o que se confiscar. Só restará o CALOTE ou a adoção das reformas – fiscal, previdenciária, etc. – já.


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