Pazuello cai depois do início da vacinação, diz jornalista. Mas não só pelo fiasco das seringas e agulhas

Portal Plantão Brasil
30/12/2020 14:08

Pazuello cai depois do início da vacinação, diz jornalista. Mas não só pelo fiasco das seringas e agulhas

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1583 visitas - Fonte: UOL

O governo aguarda apenas o início da vacinação contra o coronavírus para sacar o general Eduardo Pazuello do ministério da Saúde. Pazuello deve ser substituído pelo atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP), que já ocupou a pasta no governo Michel Temer.







O general que entrou coberto de louros por sua atuação na Operação Acolhida, de atendimento aos refugiados venezuelanos em Roraima, passa seus últimos dias como ministro sob uma saraivada de pedras — vindas, inclusive, do Palácio do Planalto.



Lá, assessores próximos do presidente mostram-se inclementes para com o general. Na visão desses assessores, Bolsonaro atrapalhou o trabalho do ministério no combate à pandemia em vários momentos, como quando obrigou Pazuello a recuar no acordo de compra da Coronavac, por exemplo, mas não proibiu o general de apresentar um bom plano de vacinação.







O erro de apostar numa só vacina, ao contrário do que fizeram quase todos os vizinhos do Brasil da América Latina, foi o primeiro dos muitos maus passos dados pelo ministério nessa fase da pandemia.

Antes, porém, o general já havia sido pego de calças curtas em episódios de gritante incompetência, como o dos quase 7 milhões de testes para diagnóstico do coronavírus flagrados pelo jornal O Estado de S. Paulo à beira do vencimento num galpão em Guarulhos (o caso foi "resolvido" com a prorrogação da validade dos testes, autorizada pela Anvisa, por quatro meses) e o das 20 milhões de máscaras cirúrgicas adquiridas pelo governo em março — das quais apenas 3 milhões tinham chegado ao seu destino até setembro, segundo o Tribunal de Contas da União.



Agora, vexame dos vexames, o pregão eletrônico para compra de agulhas e seringas, tardiamente realizado pelo ministério da Saúde, resulta em retumbante fracasso.



Das 331 milhões unidades necessárias, o governo conseguiu comprar até agora apenas 7,9 milhões.







Motivo principal: erro de cálculo. Alguns dos preços estimados pelo ministério chegaram a ficar 70% abaixo do mínimo pedido pelos fabricantes. Ao desprezar regras elementares como a da oferta e demanda, e a de que quem chega por último paga mais caro, o ministério da Saúde viu os fornecedores virarem-lhe as costas - e ficou falando sozinho.



Quando recebeu a visita de consolação de Bolsonaro logo depois de ter sido por ele desautorizado no episódio do cancelamento da compra da Coronavac, Pazuello, rindo amarelo, afirmou: "Senhores, é simples assim: um manda e outro obedece".



O vergonhoso caso das seringas mostra que o hoje quase ex-ministro errou muito e errou feio, mas não foi só por obedecer demais.



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