Primeiro ato de Braga Netto após assumir ministério foi defender celebração do golpe militar em 1964

Portal Plantão Brasil
30/3/2021 21:24

Primeiro ato de Braga Netto após assumir ministério foi defender celebração do golpe militar em 1964

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Em um de seus primeiros atos como novo ministro da Defesa, o general Walter Souza Braga Netto defendeu nesta terça-feira (30) que “devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos” de 31 de março de 1964 – data do golpe militar que derrubou o governo de João Goulart e deu início aos 24 anos de ditadura.



“As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”, afirma o general, que chegou ao posto após a queda de Fernando Azevedo e Silva.







“Em 1979, a Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso Nacional, consolidou um amplo pacto de pacificação a partir das convergências próprias da democracia. Foi uma transição sólida, enriquecida com a maturidade do aprendizado coletivo. O País multiplicou suas capacidades e mudou de estatura. […] O movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil. Assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março”, diz ainda a mensagem.



A nota é publicada em meio a uma crise política provocada pela reforma ministerial de Jair Bolsonaro, que expulsou Azevedo e Silva do governo e provocou a demissão dos forçou a renúncia dos comandantes das três Forças Armadas às vésperas do aniversário do golpe.







A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) protestou contra a nota em seu perfil no Twitter e afirmou que a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) será acionada. “‘As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País’, diz o ministério da defesa, e que o golpe de 64 deve ser celebrado. A pacificação estaria em colocar ratos nas vaginas de mulheres torturadas? Em matar e ocultar cadáveres (até hoje)? Canalhas sádicos!”, escreveu.



“Com mais de 315 mil mortes pela política genocida, o governo Bolsonaro acaba de lançar nota comemorativa do golpe militar de 1964 que torturou e matou. Vamos apresentar nova ação e denunciá-lo na Corte Interamericana de Direitos Humanos”, completou.



Bonavides chegou a acionar a Justiça, em 2020, pedindo que o Ministério da Defesa retirasse de seu site conteúdo alusivo e comemorativo ao 31 de março. Ela venceu em primeira instância, mas o Tribunal Regional Federal da 5ª Região reverteu a decisão.













Confira aqui a nota do Ministério da Defesa



Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964

Publicado em 30/03/2021 18h29



MINISTÉRIO DA DEFESA



Ordem do Dia Alusiva ao 31 de março de 1964



Brasília, DF, 31 de março de 2021



Eventos ocorridos há 57 anos, assim como todo acontecimento histórico, só podem ser compreendidos a partir do contexto da época.



O século XX foi marcado por dois grandes conflitos bélicos mundiais e pela expansão de ideologias totalitárias, com importantes repercussões em todos os países.



Ao fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo, contando com a significativa participação do Brasil, havia derrotado o nazi-fascismo. O mapa geopolítico internacional foi reconfigurado e novos vetores de força disputavam espaço e influência.







A Guerra Fria envolveu a América Latina, trazendo ao Brasil um cenário de inseguranças com grave instabilidade política, social e econômica. Havia ameaça real à paz e à democracia.



Os brasileiros perceberam a emergência e se movimentaram nas ruas, com amplo apoio da imprensa, de lideranças políticas, das igrejas, do segmento empresarial, de diversos setores da sociedade organizada e das Forças Armadas, interrompendo a escalada conflitiva, resultando no chamado movimento de 31 de março de 1964.



As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos.



Em 1979, a Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso Nacional, consolidou um amplo pacto de pacificação a partir das convergências próprias da democracia. Foi uma transição sólida, enriquecida com a maturidade do aprendizado coletivo. O País multiplicou suas capacidades e mudou de estatura.







O cenário geopolítico atual apresenta novos desafios, como questões ambientais, ameaças cibernéticas, segurança alimentar e pandemias. As Forças Armadas estão presentes, na linha de frente, protegendo a população.



A Marinha, o Exército e a Força Aérea acompanham as mudanças, conscientes de sua missão constitucional de defender a Pátria, garantir os Poderes constitucionais, e seguros de que a harmonia e o equilíbrio entre esses Poderes preservarão a paz e a estabilidade em nosso País.



O movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil. Assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março.



WALTER SOUZA BRAGA NETTO

Ministro de Estado da Defesa



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