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A recente reportagem da Folha de S.Paulo contra o ministro Dias Toffoli apresenta-se como um exemplo clássico de "jornalismo de insinuação", carente de qualquer consistência investigativa. O texto utiliza uma estratégia já conhecida pelo bolsonarismo e por setores da mídia corporativa: criar uma "teia" artificial de relações para sugerir irregularidades onde não há sequer investigação oficial. O eixo da matéria tenta vincular empresas de parentes do ministro ao Banco Master, utilizando termos técnicos inexistentes para confundir o leitor e fabricar um escândalo a partir de investimentos cruzados perfeitamente legais e comuns no mercado financeiro.

O truque reside na linguagem sugestiva. Ao usar expressões como "teia de investimentos" em vez do termo correto "investimento cruzado", o jornal abandona a técnica financeira para adotar o sensacionalismo político. Além disso, a reportagem ignora o princípio jurídico básico da responsabilidade individual, tentando imputar ao ministro atos de seus familiares de quase duas décadas atrás. O próprio jornal admite que o fundo citado não é alvo de apuração, o que esvazia qualquer pretensão de "furo" jornalístico e revela apenas uma tentativa de desgaste institucional do Supremo Tribunal Federal.

As omissões de dados essenciais são gritantes. A matéria não informa datas de entrada e saída do fundo, nem os valores envolvidos, impedindo qualquer análise séria sobre a relevância econômica dos fatos. Pior ainda é a introdução irresponsável da sigla "PCC" no texto, sem qualquer nexo causal com o ministro ou com o fundo Arleen. Esse recurso serve apenas para induzir uma reação emocional no leitor e associar o nome de um magistrado ao crime organizado por meio de uma vizinhança semântica forçada, tática típica das campanhas de desinformação da extrema-direita.
O gráfico publicado pelo próprio jornal termina por desmentir a narrativa, ao mostrar que todos os vínculos citados estão encerrados. Tratam-se de relações societárias do passado que não possuem qualquer desdobramento no presente. Castigar o ministro por atos de terceiros ocorridos décadas depois de uma sociedade extinta é um raciocínio abusivo que não resistiria ao menor rigor jurídico. O objetivo, no entanto, não é o tribunal, mas a opinião pública, alimentando o ódio ao Judiciário que tanto serviu aos propósitos antidemocráticos do governo anterior.

É sintomático que o ataque ocorra justamente contra ministros que têm sido pilares na defesa da democracia contra os ataques bolsonaristas. Ao reeditar narrativas sem provas, a imprensa acaba por fazer o jogo daqueles que desejam o colapso das instituições. A sociedade precisa discernir entre o jornalismo que informa e a fabricação de suspeitas que apenas servem como munição para a radicalização política e o enfraquecimento do Estado Democrático de Direito.
Com informações do DCM
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