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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deixou passar uma tentativa de distorção vinda da TV Globo durante coletiva em Nova Delhi, na Índia, neste domingo (22). Ao ser questionado pelo repórter Tiago Eltz, que insinuou que o Brasil estaria disposto a "receber criminosos" a pedido de Donald Trump, Lula interrompeu o jornalista imediatamente. Com a firmeza de quem não aceita narrativas manipuladas, o presidente rebateu: "Não, você não ouviu isso aqui. Se eu aceito a pergunta do jeito que você está fazendo, dá a impressão que eu falei isso, e eu não falei".
Lula deixou claro que a prioridade do governo federal é a aplicação da lei e não a submissão a políticas migratórias polêmicas dos Estados Unidos. O presidente explicou que a colaboração com Trump foca em magnatas do crime organizado que utilizam o território americano como esconderijo. Ele citou o exemplo concreto de 250 milhões de litros de gasolina bloqueados em navios e ressaltou que o responsável pelo esquema vive luxuosamente em Miami. "Nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos", disparou o mandatário.
Diferente da visão bolsonarista, que historicamente se curvou aos interesses americanos sem contrapartidas, Lula defendeu uma relação de altivez. Ele afirmou que pretende levar a Trump propostas por escrito para combater o narcotráfico, o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro. O presidente enfatizou que o foco da investigação não está nas favelas, mas nas coberturas e bairros luxuosos onde moram os "magnatas da corrupção" que operam entre os dois países. O objetivo é garantir que o Departamento de Justiça dos EUA e a Polícia Federal brasileira atuem em conjunto para colocar esses criminosos de colarinho branco na cadeia.
Em entrevista anterior à India Today, Lula já havia sinalizado que essa cooperação técnica entre a Receita Federal e as autoridades americanas será formalizada para evitar que "o vento leve as palavras". O otimismo do presidente em relação ao diálogo com Trump baseia-se na eficiência das instituições brasileiras, que já identificaram nomes e endereços de criminosos que se acreditavam intocáveis no exterior. Para Lula, a luta contra o crime deve ser séria e estratégica, atingindo o topo da pirâmide financeira que sustenta a ilegalidade.
Essa postura firme contra as tentativas de enquadramento da mídia liberal reforça o compromisso do governo com a verdade e com a soberania nacional. Ao confrontar o jornalista da Globo, Lula impediu que uma declaração sobre segurança pública fosse transformada em combustível para a desinformação. O presidente reafirmou que o Brasil não será depósito de ninguém, mas sim um parceiro ativo na captura de quem lesa o patrimônio público e se esconde sob o manto de vistos temporários ou moradias de luxo em solo americano.
A mensagem enviada de Nova Delhi é clara: o Brasil recuperou sua voz no cenário global e não aceita que porta-vozes de interesses conservadores distorçam a política externa para criar polêmicas artificiais. O combate ao tráfico e à corrupção será feito com inteligência e cobrança mútua, garantindo que o diálogo com os Estados Unidos sirva para fortalecer a justiça brasileira e não para validar perseguições migratórias generalizadas.
Assista ao vídeo:
Pondo os pontos nos is
— Penélope Moreira (@YviCarneiro) February 22, 2026
Lula cirúrgico, não deixou a narrativa crescer pic.twitter.com/K63XL7QGzv