217 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A manhã desta terça-feira (25) no Supremo Tribunal Federal foi marcada por uma carga emocional devastadora que transcende o rito jurídico. Marinete da Silva, mãe da ex-vereadora Marielle Franco, sofreu um mal-estar físico enquanto acompanhava o segundo dia de julgamento dos acusados de serem os mandantes da execução de sua filha. Em um momento de profunda fragilidade, Marinete precisou deixar o plenário da Primeira Turma por volta das 10h, amparada pela filha, a ministra Anielle Franco, evidenciando o peso insuportável de anos de espera por uma justiça que o bolsonarismo e as milícias tentaram, de todas as formas, obstruir.
A sessão, que analisa a responsabilidade dos criminosos apontados como mentores do atentado que vitimou Marielle e o motorista Anderson Gomes, ocorria sob o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes. Visivelmente emocionada e sofrendo o que se suspeita ter sido um pico de pressão, Marinete foi atendida por socorristas em uma sala de apoio. Para quem defende os direitos humanos e repudia a violência política, a imagem da dor de uma mãe no coração da Corte máxima do país é o lembrete mais cruel de que a barbárie miliciana deixa feridas que o tempo, sozinho, não é capaz de fechar.
Apesar do susto e da necessidade de atendimento médico, a força de Marinete da Silva prevaleceu. Após cerca de 30 minutos de cuidados, ela deu uma lição de resiliência ao retornar ao plenário para continuar encarando de frente o processo que pode, finalmente, punir os responsáveis pela execução de sua filha. Sua presença é um ato de resistência contra aqueles que apostaram na impunidade e no esquecimento. A família solicitou privacidade durante o atendimento, reafirmando a dignidade de quem sofreu a perda mais violenta possível sob os holofotes de um país dividido pelo ódio político.
O julgamento na Primeira Turma do STF é a etapa mais central da caminhada jurídica deste caso, representando a esperança de que os mandantes — figuras ligadas às estruturas mais sombrias do poder no Rio de Janeiro — recebam a punição devida. O voto de Alexandre de Moraes é aguardado como um divisor de águas que pode desmantelar de vez a rede de proteção que cercou os executores e seus chefes por tanto tempo. Ver a mãe de Marielle retornar ao posto de observadora, mesmo após o esgotamento físico, mostra que a luta por memória e justiça é o que mantém essa família de pé.
Enquanto a extrema-direita tenta minimizar a gravidade do crime ou criar teorias conspiratórias para proteger aliados, o Estado brasileiro, através do STF, tem o dever de oferecer uma resposta à altura da dor de Marinete e Anderson. A execução de Marielle foi um ataque à democracia, e o sofrimento de sua mãe no plenário é a prova de que a justiça tardia é uma forma de tortura continuada. O retorno de Marinete à sessão não foi apenas um retorno físico, mas um recado silencioso e contundente: ela não sairá dali até que o último responsável seja condenado.
A continuidade do julgamento marca um passo decisivo para o Brasil. Punir os mandantes da morte de Marielle é enfrentar o poder das milícias que corroem a democracia e as instituições. O mal-estar de Marinete reflete o sentimento de milhões de brasileiros que não aguentam mais a demora na resolução de um crime tão simbólico. Que a força desta mãe guie os ministros para uma decisão que traga, se não a filha de volta, ao menos o alento de que ninguém está acima da lei, nem mesmo aqueles que se sentiram intocáveis nas sombras do Rio de Janeiro.
Com informações do Brasil 247
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.