431 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O Supremo Tribunal Federal finalmente encerrou um dos capítulos mais sombrios da história recente do Rio de Janeiro ao condenar os mandantes da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Em um voto contundente, o ministro Alexandre de Moraes confirmou que os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, figuras carimbadas da velha política fluminense, ordenaram o crime. Além deles, o delegado Rivaldo Barbosa e os policiais Ronald Paulo Alves e Robson Calixto foram condenados, expondo a simbiose nojenta entre o poder público e as milícias que floresceram sob a lógica do "bandido bom é bandido morto" defendida pela extrema-direita.
Moraes foi cirúrgico ao apontar que os Brazão não apenas tinham contato com a milícia; eles eram a própria milícia. A motivação central foi a proteção de lucros astronômicos com a grilagem de terras em Jacarepaguá, área onde a atuação de Marielle em defesa do povo pobre ameaçava os negócios ilícitos do clã. Segundo a investigação, a recompensa prometida pelo assassinato seria um terreno avaliado em R$ 100 milhões, onde seriam criados loteamentos clandestinos. Esse é o verdadeiro rosto do projeto miliciano: o lucro acima da vida e o uso do Estado para garantir propriedades roubadas.
O relator destacou que o crime teve um forte componente de ódio, misturando política com misoginia e racismo. Para os mandantes, acostumados com a impunidade histórica do Rio, Marielle era um alvo "insignificante" por ser uma mulher preta e pobre vinda da favela. Eles acreditavam que a execução não teria repercussão, subestimando a força da resistência democrática. O simbolismo da morte serviu como um recado sangrento para qualquer opositor que tentasse enfrentar os interesses territoriais desses grupos armados que sequestram a soberania popular em comunidades carentes.
A sentença também desmascarou o controle absoluto que esses criminosos exercem sobre os processos eleitorais. Moraes enfatizou que em regiões como Rio das Pedras, o apoio da milícia é o único passaporte para realizar campanhas, garantindo votos para seus aliados e barrando qualquer liderança progressista. Essa estrutura de poder paralelo, que muitas vezes encontra eco em discursos de ódio vindos de Brasília, é o que permite que figuras como os Brazão se mantenham encasteladas em tribunais e casas legislativas enquanto operam o terror nas ruas.
Outro ponto crucial do julgamento foi a confirmação de que a estrutura criminosa não hesita em eliminar os seus próprios para garantir o silêncio. O ministro relembrou a execução de Edimilson Oliveira, o Macalé, em 2021. Macalé serviu como intermediário para contratar o assassino Ronnie Lessa, mas acabou sendo vítima de uma "queima de arquivo" clássica. Esse método histórico das milícias do Rio de Janeiro reforça a periculosidade da organização que os irmãos Brazão lideravam, onde qualquer ponta solta é resolvida com mais sangue.
Com a decisão da Primeira Turma do STF, o Brasil dá um passo decisivo para extirpar o câncer da milícia da política institucional. A condenação do delegado Rivaldo Barbosa, que deveria proteger a população e acabou traindo o cargo para acobertar mandantes, simboliza a urgência de uma limpeza profunda nas polícias brasileiras. Marielle e Anderson não foram esquecidos, e a derrota jurídica desse grupo miliciano representa uma vitória da democracia contra o projeto de barbárie que tentou tomar conta do país nos últimos anos.
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Com informações do Brasil 247
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