133 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O Palácio dos Bandeirantes serviu de cenário nesta manhã para a oficialização de um pacto que tenta ressuscitar o projeto político que o Brasil rejeitou nas urnas. O governador Tarcísio de Freitas recebeu o senador Flávio Bolsonaro para selar, de forma pública e enfática, seu apoio à candidatura do filho do ex-presidente à Presidência da República em 2026. A foto dos dois lado a lado, sorridentes, é o símbolo de que Tarcísio decidiu abraçar de vez o espólio bolsonarista, deixando de lado qualquer pretensão de voo próprio para servir de escada ao clã que ainda sonha com a volta ao poder central.
Essa união ocorre após meses de fritura e humilhação pública impostas a Tarcísio pelos setores mais radicais da extrema-direita. O governador, que vinha sendo cobrado por não defender o clã com "entusiasmo suficiente", parece ter dobrado os joelhos após a decisão de Jair Bolsonaro — que, mesmo da prisão, escolheu o filho como seu sucessor oficial. O encontro de hoje é o desfecho de uma coreografia política que incluiu uma visita de Tarcísio ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde recebeu as ordens diretas para se engajar na campanha de Flávio.
Flávio Bolsonaro, investigado no passado pelo escândalo das rachadinhas, agora fala em "fazer história" e "recolocar o país no caminho da prosperidade", ignorando o desastre econômico e social deixado pelo governo de seu pai. Ao chamar Tarcísio de "meu amigo", o senador marca território e anula as especulações de que o governador de São Paulo poderia ser um substituto moderado na disputa presidencial. Na prática, Tarcísio aceitou o papel de "fiador" de uma candidatura que carrega todo o peso negativo e as investigações que cercam a família Bolsonaro.
O preço desse apoio deve ser cobrado na montagem da chapa de Tarcísio para a reeleição em São Paulo. O governador agora enfrenta a pressão para acomodar nomes do PL de Flávio na sua vice, o que pode gerar conflitos com seus atuais aliados do PSD, como Gilberto Kassab e Felício Ramuth. A entrada definitiva de Tarcísio na campanha de Flávio Bolsonaro nacionaliza a disputa paulista e coloca a máquina do estado mais rico do país a serviço de um projeto de poder familiar que já mostrou ao Brasil a que veio.
Enquanto o país avança sob a gestão de Lula, a oposição bolsonarista tenta se reorganizar em torno de nomes que representam o retrocesso. A aliança selada no Bandeirantes mostra que Tarcísio preferiu a obediência ao clã do que o compromisso com uma gestão independente. Ao prometer que estará "muito unido" a Flávio, o governador de São Paulo assume a responsabilidade de carregar um projeto que, para muitos brasileiros, é sinônimo de ataques às instituições e negligência com as necessidades reais do povo.
O "Projeto Brasil" mencionado por Flávio nada mais é do que a tentativa de retomar o controle do país para garantir a proteção de seus aliados. Tarcísio, ao se tornar o principal cabo eleitoral do senador, vincula seu destino político ao de uma família que lida diariamente com os tribunais. O tabuleiro de 2026 começa a se desenhar com nitidez: de um lado, a reconstrução democrática; do outro, o herdeiro do bolsonarismo amparado pela força administrativa de São Paulo. A luta pela democracia ganhará novos e intensos capítulos.
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