258 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O cenário geopolítico na Ásia Central sofreu uma ruptura drástica nesta sexta-feira (27), com o governo do Paquistão declarando oficialmente "guerra aberta" contra o regime Talibã. Em uma operação militar de larga escala, o Exército paquistanês bombardeou diversas cidades no Afeganistão, atingindo inclusive a capital Cabul. O ataque, que marca o fim de décadas de uma aliança histórica e complexa, foi motivado por acusações de que o Afeganistão estaria abrigando militantes armados que realizam atentados em território paquistanês, algo que o regime de Cabul nega veementemente.
A retaliação do Paquistão foi contundente, focando em alvos militares estratégicos em cidades como Kandahar e Paktia. Islamabad alega ter eliminado 274 autoridades e militantes ligados ao regime Talibã durante a ofensiva. Por outro lado, o Talibã não ficou inerte e utilizou drones para bombardear instalações militares paquistanesas na capital Islamabad e em outras regiões fronteiriças, resultando na morte confirmada de pelo menos 12 soldados paquistaneses. O nível de hostilidade atingiu um patamar inédito, transformando a fronteira em um barril de pólvora pronto para explodir.
O pano de fundo desse conflito envolve o grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), que o Paquistão afirma operar livremente a partir do solo afegão para desestabilizar o país. Somado a isso, Islamabad vê com profunda desconfiança a crescente aproximação diplomática entre o Afeganistão e a Índia, sua rival histórica. Em uma troca de acusações típica de regimes instáveis, o governo afegão rebate afirmando que o Paquistão é quem esconde combatentes do Estado Islâmico, enquanto tenta, de forma contraditória, adotar um tom conciliador e pedir diálogo em meio ao fogo cruzado.
A escalada da violência ameaça arrastar a região para uma crise humanitária e militar ainda mais profunda, especialmente em um momento em que as potências mundiais buscam estabilidade no Oriente Médio e arredores. O governo paquistanês afirmou estar pronto para "esmagar" o Talibã caso novas provocações ocorram, sinalizando que os bombardeios desta madrugada podem ser apenas o início de uma campanha prolongada. A comunidade internacional observa com apreensão essa guerra entre vizinhos que, até pouco tempo, compartilhavam interesses estratégicos comuns.
O impacto dessa guerra aberta atinge diretamente os esforços de pacificação na região, alimentando ciclos de ódio que favorecem grupos extremistas de ambos os lados. Enquanto o Paquistão tenta reafirmar sua soberania interna contra militantes, o Talibã tenta consolidar seu poder no Afeganistão enquanto lida com uma ofensiva externa de um ex-aliado que conhece bem seus pontos fracos. A estratégia de "guerra total" de Islamabad pode redesenhar o mapa das alianças no sul da Ásia, empurrando Cabul para órbitas diplomáticas ainda mais distantes do ocidente.
Aguardamos os próximos desdobramentos desta crise que coloca dois exércitos frente a frente em uma disputa por controle territorial e influência política. O uso de tecnologias como drones e bombardeios aéreos em capitais demonstra que o conflito não se restringirá apenas às montanhas da fronteira. A pergunta que fica é até onde o Paquistão irá para "esmagar" um regime que ajudou a fortalecer no passado e qual será o custo humano dessa nova aventura militar na Ásia.
Assista ao vídeo:
@g1 Conflito - O Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques na madrugada desta sexta-feira (27), no horário de Brasília, após Islamabade ter declarado uma "guerra aberta" ao país vizinho. O Exército paquistanês bombardeou diversas cidades afegãs, incluindo a capital Cabul, e compartilhou vídeo do que afirma ser ataques na cidade. Autoridades paquistanesas disseram à agências de notícias Reuters que os ataques envolveram mísseis disparados por via aérea contra escritórios e postos militares do Talibã em Cabul, Kandahar e também na província de Paktia. Testemunhas da AFP confirmaram explosões e viram caças sobrevoando as cidades. O governo do Paquistão declarou guerra contra o Afeganistão na quinta-feira após ter dito que "a paciência chegou ao limite" com o país vizinho. Os dois países haviam firmado um acordo de cessar-fogo mediado pelo Catar em outubro. Nesta sexta-feira, Islamabade afirmou estar pronto para "esmagar" o Talibã, que controla o Afeganistão. Para saber mais, clique em 'leia o artigo' #g1 #tiktoknotícias #paquistão #afeganistão #ataqueaéreo ? som original - g1