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O Itamaraty trabalha com cautela redobrada diante da possibilidade de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para a segunda quinzena de março. A diplomacia brasileira avalia que o momento é extremamente delicado, uma vez que a recente ofensiva militar norte-americana contra o Irã mergulhou o Oriente Médio em uma nova onda de instabilidade. Para interlocutores do governo, uma foto ao lado de Trump neste contexto poderia ser distorcida e interpretada como um endosso tácito às ações belicistas de Washington, que o Brasil condena formalmente por violarem o direito internacional.
A posição oficial do Brasil permanece fiel à tradição do multilateralismo e ao respeito à soberania das nações. O governo federal já manifestou publicamente que os ataques dos Estados Unidos ao território iraniano representam uma grave violação à Carta das Nações Unidas. Por isso, a ausência de uma confirmação de data por parte da Casa Branca, que é a anfitriã da visita, tem sido vista nos bastidores do Planalto com um certo alívio momentâneo, reduzindo a pressão imediata sobre o presidente Lula para se posicionar frente a frente com o líder republicano.
Além das implicações geopolíticas, o cálculo político interno também pesa nas decisões do Itamaraty. O governo está ciente de que a oposição bolsonarista busca utilizar qualquer aproximação para criar narrativas favoráveis ao extremismo de direita, contrastando com a postura de equilíbrio mantida pelo atual governo. O silêncio sobre a crise regional durante uma reunião bilateral é visto como um risco: poderia sugerir falta de firmeza da diplomacia brasileira ou, pior, uma concordância com a estratégia de caos promovida pela atual gestão da Casa Branca no cenário global.
Apesar de todos os impasses e das críticas de setores da esquerda que veem com reticência o aperto de mãos com Trump, o corpo diplomático reconhece que a relação estratégica entre as duas maiores economias das Américas torna o encontro praticamente inevitável caso o convite seja formalizado. A consolidação dos vínculos bilaterais é tratada como prioridade institucional, mas o desafio de Lula será navegar por esse encontro sem comprometer sua autoridade moral como líder global que defende a paz e a autodeterminação dos povos em um mundo cada vez mais conflagrado.
Com informações da CNN
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