707 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A casa caiu definitivamente para o esquema financeiro que irrigou a extrema direita. Menos de quatro meses após sua primeira tentativa de fuga frustrada, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso novamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4). Vorcaro, figura central de um escândalo bilionário, foi detido em São Paulo durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ação não parou nele: o pastor Fabiano Zettel, da Igreja Lagoinha e cunhado do banqueiro, também é alvo de prisão em Belo Horizonte. Zettel é conhecido por sua generosidade com o bolsonarismo, tendo despejado R$ 3 milhões na campanha de Jair Bolsonaro em 2022.
A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão entre São Paulo e Minas Gerais. O impacto financeiro é astronômico: o ministro André Mendonça determinou o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões. O objetivo é estancar a movimentação de ativos do grupo e tentar recuperar valores desviados em práticas ilícitas. Curiosamente, a ordem de prisão veio logo após Mendonça dar aval para que o banqueiro faltasse a um depoimento na CPI do Crime Organizado, evidenciando as tensões em torno da blindagem de aliados de Bolsonaro.
As investigações apontam que o Banco Master operava um esquema de fraudes na Faria Lima, emitindo ativos financeiros sem lastro e criando carteiras de crédito fictícias. Esse mecanismo criminoso servia para atrair recursos públicos e fundos de pensão, gerando um rombo sistêmico de dezenas de bilhões de reais. O histórico de Daniel Vorcaro com a justiça é marcado pela tentativa de fuga em novembro de 2025, quando foi interceptado em um jato particular no Aeroporto de Guarulhos. Naquela ocasião, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição para evitar danos ainda maiores ao sistema financeiro.
A queda do Master também interrompeu negócios nebulosos que envolviam o governo do Distrito Federal. A liquidação travou a venda do banco de Vorcaro para o Banco de Brasília (BRB), comandado pela gestão do governador bolsonarista Ibaneis Rocha. Esse entrelaçamento entre o capital financeiro sob suspeita e as administrações ligadas ao antigo governo revela a profundidade das relações promíscuas que agora vêm à tona. Os documentos e celulares apreendidos em fases anteriores da operação serviram como base para o aprofundamento das buscas que ocorreram hoje em diversos estados.
O desdobramento da Operação Compliance Zero em sua segunda e terceira fases reforça o cerco contra aqueles que utilizavam instituições financeiras para o enriquecimento ilícito e o financiamento de projetos políticos autoritários. O bloqueio dos R$ 22 bilhões é uma medida drástica para tentar conter o estrago deixado pelo grupo de Vorcaro. A Polícia Federal segue analisando o material colhido para identificar outros beneficiários das supostas fraudes, enquanto o setor financeiro assiste ao desmonte de uma estrutura que operava desafiando qualquer princípio de governança.
A prisão do "pastor do cheque", Fabiano Zettel, coloca o foco novamente sobre o uso de instituições religiosas para lavar ou movimentar dinheiro de origem duvidosa em benefício de pautas antidemocráticas. Com o cerco se fechando, o bolsonarismo perde mais um de seus pilares de sustentação financeira, provando que o discurso de moralidade era apenas uma fachada para negócios bilionários realizados nas sombras da legalidade. A justiça brasileira, através do STF e da PF, demonstra que ninguém está acima da lei, nem mesmo banqueiros influentes ou líderes religiosos vinculados a ex-presidentes.
Com informações da Fórum
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