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A simbiose entre o crime de colarinho branco e táticas milicianas atingiu um nível aterrador com as novas revelações sobre Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. Mensagens extraídas de seu celular pela Polícia Federal expuseram um plano de violência explícita contra adversários, que serviu de base para o ministro André Mendonça, do STF, decretar sua prisão preventiva nesta quarta-feira (4). O banqueiro não apenas financiava esquemas bilionários, mas autorizava pessoalmente "ações de capangas" para agredir desafetos, incluindo a simulação de assaltos e sequestros para esconder o caráter político e retaliatório das agressões.
O alvo mais emblemático do ódio de Vorcaro era o jornalista Lauro Jardim. Em diálogos chocantes com um executor identificado como "Sicário" — um ex-policial que atuava como braço armado do banco —, o empresário ordenou: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. A estratégia era brutal e covarde: usar a violência física para calar quem ousasse investigar os podres do Banco Master. Esse núcleo de inteligência criminosa operava em um grupo de WhatsApp sugestivamente chamado “A Turma”, que reunia policiais civis aposentados e figuras do mercado financeiro em uma estrutura de verdadeiro bando paramilitar.
A promiscuidade do esquema de Vorcaro ia muito além da violência física e alcançava as entranhas do Estado. A Polícia Federal aponta indícios gravíssimos de que o banqueiro invadiu sistemas sigilosos da própria PF, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol. O objetivo era monitorar as investigações contra si mesmo, possivelmente através da contratação de hackers. Essa afronta direta à soberania nacional e às instituições de justiça mostra que o grupo se sentia acima de qualquer lei, agindo como uma organização criminosa de alta periculosidade.
O clã familiar também está atolado na lama. O pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e conhecido por despejar milhões na campanha de Jair Bolsonaro em 2022, é um dos integrantes do grupo “A Turma” e alvo de mandado de prisão. Zettel, que até o fechamento desta edição ainda não havia sido localizado, é a peça que liga o capital financeiro sob suspeita ao apoio político à extrema direita. Outros nomes, como o policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, completam o quadro de uma milícia empresarial que utilizava o monitoramento ilegal para perseguir quem cruzasse o caminho do banqueiro.
A decisão de André Mendonça foi contundente ao autorizar o bloqueio de R$ 22 bilhões, uma medida necessária para estancar a movimentação de recursos que alimentavam essa rede de corrupção, lavagem de dinheiro e ameaças. Mesmo tendo negado acesso a dados sigilosos em depoimento anterior, as provas encontradas no celular de Vorcaro desmentiram o empresário, revelando que ele acompanhava e autorizava cada passo das operações ilícitas. É o desmonte de uma estrutura que acreditava poder comprar a impunidade e o silêncio através do terror e da invasão tecnológica.
A Operação Compliance Zero em sua terceira fase cumpre 4 mandados de prisão e 15 de busca em São Paulo e Minas Gerais, jogando luz sobre como o setor financeiro foi aparelhado por práticas mafiosas nos últimos anos. A queda de Vorcaro e o cerco ao pastor Zettel representam um duro golpe no financiamento de redes que desprezam a democracia e a integridade física de jornalistas e servidores públicos. O Brasil assiste, enfim, ao enfrentamento de uma elite financeira que se achava intocável enquanto planejava espancamentos e hackeava as forças de segurança do país.
Com informações do DCM
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