764 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A máscara de "paladino da moralidade" do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) caiu de vez e deu lugar ao pânico absoluto. Novas revelações mostram que, em 2022, o parlamentar bolsonarista cruzou o país a bordo de um jatinho de luxo pertencente a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para fazer campanha para Jair Bolsonaro. A aeronave, registrada pelo grupo Prime You — o mesmo que detém a mansão de Vorcaro em Brasília —, levou Nikolas e uma comitiva de influenciadores religiosos para redutos estratégicos, como o Nordeste e o Triângulo Mineiro, em viagens cujos custos simplesmente evaporaram das prestações de contas oficiais.
O escândalo explodiu após Valdemar da Costa Neto confirmar que o clã Bolsonaro recebeu R$ 3 milhões diretamente na conta do ex-presidente, vindos do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Agora, a Justiça quer saber se o uso do jatinho foi a "gorjeta" aérea desse esquema. Parlamentares do campo progressista, como Sâmia Bonfim (PSOL-SP), Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ), já acionaram o STF e o TSE. A acusação é grave: caixa 2 e lavagem de dinheiro. Se comprovado que o transporte de luxo não foi declarado, o mandato de Nikolas Ferreira pode — e deve — ser cassado por crime eleitoral.
As investigações da Operação Compliance Zero sugerem que o buraco é muito mais embaixo. Há suspeitas de que o Banco Master servia como duto para lavar dinheiro desviado de aposentados do INSS, utilizando até a estrutura da Igreja da Lagoinha e o "Clava Forte Bank". O deputado Rogério Correia foi incisivo ao pedir a convocação de Nikolas para a CPMI do INSS, apontando que o parlamentar foi "pego com a boca na botija" voando no que apelidaram de "BolsoMaster". O uso de uma estrutura empresarial para fins eleitorais sem transparência é o retrato fiel da promiscuidade entre o grande capital sob suspeita e a extrema direita.
Enquanto pregava "amor pelo país" nas redes sociais, Nikolas se cercava de figuras como o "pastor gamer" Guilherme Batista, líder de reality shows evangélicos e aliado de políticos investigados por corrupção. As fotos da época mostram a ostentação da caravana "Juventude pelo Brasil" em frente à aeronave de Vorcaro, provando que a mobilização "espontânea" da juventude bolsonarista era, na verdade, financiada por um banqueiro hoje preso por fraudes bilionárias. A pergunta que não quer calar e que apavora o deputado é: o que Vorcaro esperava receber em troca de tanta generosidade aérea?
O vereador Pedro Rousseff (PT-MG) e outros parlamentares mineiros também protocolaram representações na PGR, reforçando que o uso de bens de luxo de terceiros em campanha configura vantagem indevida. O cinismo de Nikolas, que sempre usou as redes para atacar adversários com mentiras, agora é confrontado com documentos e registros de voos que ele não pode apagar. O "paladino" das redes agora precisa explicar à Justiça por que seus voos de luxo foram pagos por um grupo investigado por hackear sistemas do FBI e da Polícia Federal.
A queda de Nikolas Ferreira e o envolvimento de seu nome no escrutínio do Banco Master representam um golpe duríssimo no bolsonarismo mineiro. O cerco de André Mendonça no STF e a pressão no TSE colocam o mandato do deputado em uma contagem regressiva. Para quem fez carreira apontando o dedo para os outros, ver a própria assinatura ligada a um esquema de lavagem de dinheiro e caixa 2 é o pesadelo que o deputado tentou evitar, mas que a Operação Compliance Zero finalmente trouxe à tona.
Assista ao vídeo:
JATINHO DE BANQUEIRO NA CAMPANHA?
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) March 3, 2026
Nikolas Ferreira precisa explicar ao Brasil quem pagou a conta. Eu e o deputado Rogério Correia entramos com representação na Procuradoria-Geral Eleitoral para investigar o uso de um jato ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro durante a campanha de… pic.twitter.com/eQzadZnJVc