O fenômeno da "autoajuda política" ganha um novo e perigoso capítulo com o anúncio de Augusto Cury como pré-candidato à Presidência em 2026. Em uma carta aberta recheada de messianismo, o psiquiatra tenta vender a imagem de um "salvador" acima das ideologias, mas seu discurso entrega um alinhamento escancarado com o que há de mais retrógrado na direita neoliberal e no bolsonarismo de sapatênis. Ao propor um "Projeto Brasil 2027–2050", Cury mimetiza a tática da extrema-direita de atacar a política institucional, chamando-a de "pantanosa", enquanto se oferece como uma "doação" ao país, desde que algum partido aceite ser apenas um hospedeiro para suas ambições pessoais.
A máscara de "mediador social" cai rapidamente quando analisamos o "governo de notáveis" que o autor pretende montar. Cury resgata nomes que foram os arquitetos da destruição econômica e social do país, como o ex-ministro de Bolsonaro, Paulo Guedes, e o ortodoxo Mansueto Almeida. Ao cercar-se de figuras que defendem um Estado "enxuto" — código para o desmonte de serviços públicos essenciais como o SUS e a educação —, o psiquiatra demonstra que seu projeto é a continuidade do projeto de exclusão que o governo Lula está lutando para reverter. É o neoliberalismo fantasiado de "gestão técnica" para enganar a classe média cansada da polarização.
As propostas de Cury para o Poder Judiciário são um aceno direto às pautas golpistas que tentam fragilizar a democracia brasileira. Ao falar em "modernização" do STF com mandatos curtos e o fim da indicação presidencial, ele ecoa as mesmas críticas feitas por bolsonaristas que foram contidos pela Corte após os ataques de 8 de janeiro. Retirar do presidente eleito pelo povo a prerrogativa de indicar ministros é uma tentativa de esvaziar a soberania popular e entregar o controle da Justiça a corporações técnicas, criando um tribunal insulado e longe das demandas sociais que o atual Supremo tem protegido com firmeza.
Outro ponto central de seu devaneio autoritário é a defesa do semipresidencialismo. Cury alega que o Brasil já é parlamentarista "de fato", mas sua proposta visa apenas retirar o poder das mãos de um Executivo progressista para entregá-lo a um Congresso dominado pelo centrão e por interesses fisiológicos. É a receita perfeita para a paralisia institucional e para o enfraquecimento de governos que ousam confrontar as elites financeiras. Sob o pretexto de "eficiência", o psiquiatra quer transformar o presidente em uma figura decorativa, impedindo que mandatos populares como o de Lula consigam implementar mudanças reais na estrutura de desigualdade do país.
A postura de Cury de se colocar "à disposição" para ser procurado por legendas, mas sem querer discutir ideologia, é uma afronta à lógica partidária e democrática. Partidos são a base da representação política e carregam visões de mundo fundamentais para o debate público. Ao rejeitar o rótulo de "política de partidos", ele flerta com o antipoliticismo que serviu de tapete vermelho para a ascensão do fascismo no Brasil. Sua "doação" nada mais é do que uma tentativa de capitalizar sua fama como autor de best-sellers para vender fórmulas mágicas de felicidade nacional que, na prática, só beneficiam o mercado financeiro e os "notáveis" de sempre.
Enquanto o governo Lula trabalha para reconstruir o pacto social e fortalecer a democracia, figuras como Augusto Cury surgem para tentar confundir o eleitorado com um discurso adocicado que esconde um veneno institucional. O Brasil não precisa de um "psiquiatra da nação" que receita receitas amargas de austeridade e enfraquecimento dos poderes, mas sim de política real, feita com partidos, ideologias claras e compromisso com o povo. A pré-candidatura de Cury, se viabilizada, será apenas mais uma linha auxiliar do conservadorismo tentando retornar ao poder com uma roupagem supostamente civilizada.
Com informações da Fórum
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