O cenário político em Brasília voltou a ser contaminado pelas práticas sombrias que marcaram o período mais nefasto da Justiça brasileira. Sergio Moro, hoje senador pelo União-PR, cometeu um ato falho revelador em suas redes sociais ao ironizar acusações de que "ainda" controlaria a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Ao usar a palavra "ainda", o ex-juiz — que deixou o governo Bolsonaro após o ex-presidente confessar que queria interferir na PF para proteger a família no caso das "rachadinhas" — admitiu implicitamente o poder de comando que exercia ilegalmente sobre as instituições durante o auge do lawfare em Curitiba.
Enquanto Moro se atrapalha nas redes, seu fiel escudeiro e cassado pela Lei da Ficha Limpa, Deltan Dallagnol, retornou aos holofotes com a mesma estratégia de manipulação de opinião pública. Dallagnol retomou a parceria histórica com setores da mídia liberal para protocolar um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. O plano é claro: usar vazamentos seletivos e narrativas sem comprovação sobre o caso Master para tentar desestabilizar o Supremo Tribunal Federal e paralisar as investigações que cercam o bolsonarismo e o Centrão.
Veja:
No universo da loucura do PT e de alguns advogados picaretas do clube da impunidade, eu ainda controlo a PF e o MPF. Também mando em parte da imprensa. Mais fácil criar teorias da conspiração do que admitir responsabilidades.
Essa articulação, apelidada de "Lava Jato 2.0", tem um ponto central no gabinete do ministro André Mendonça no STF. Descobriu-se que o delegado Thiago Marcantonio Ferreira, figura carimbada na relação com a antiga força-tarefa e ex-integrante do ministério bolsonarista, ocupa cargo estratégico na relatoria do caso Master. Essa proximidade explica o "modus operandi" idêntico ao de anos atrás: informações sigilosas são entregues de bandeja para jornalistas, criando um turbilhão mediático antes mesmo de qualquer prova ser periciada ou apresentada formalmente à Justiça.
Dallagnol, agora agindo ao lado do advogado do bolsonarista Filipe Martins, utiliza-se de reportagens baseadas em fontes anônimas para acusar o ministro Moraes de corrupção, sem apresentar um único documento que sustente suas falas. O objetivo não é a busca pela verdade, mas a criação de uma cortina de fumaça que proteja figuras proeminentes da direita, como Romeu Zema e Flávio Bolsonaro, que já começam a se alinhar para o pleito de 2026 sobre os escombros das instituições democráticas que tentam implodir.
O uso político da Polícia Federal, que Moro tanto criticou ao sair do governo anterior, parece ser agora sua principal ferramenta de sobrevivência política. A insistência em atacar o STF através de vazamentos orquestrados demonstra que os métodos da Operação Spoofing, que revelaram conversas ilegais entre juiz e procuradores, não foram esquecidos, mas aprimorados. O governo Lula e os defensores da democracia seguem vigilantes contra essa nova tentativa de capturar o Estado brasileiro para fins de perseguição política e impunidade de criminosos de colarinho branco.
O Brasil não pode permitir que o teatro de Curitiba se repita em Brasília. O lawfare, que sequestrou o país e abriu caminho para o desastre bolsonarista, está tentando se reorganizar sob novas roupagens. A cassação de Dallagnol foi um passo importante para a limpeza ética da política, mas as recentes movimentações mostram que as raízes desse sistema autoritário ainda tentam sugar a energia da nossa democracia. É preciso rigor máximo contra agentes públicos que utilizam cargos e segredos de Estado para promover vendetas pessoais e golpes institucionais.
Com informações da Fórum
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