765 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O clã Bolsonaro, mestre em atacar as instituições quando lhe convém, agora ensaia uma manobra de sobrevivência digna dos maiores oportunistas da história política. Flávio Bolsonaro estaria preparando uma "carta aberta à nação", em uma tentativa patética de mimetizar o gesto histórico de Lula em 2002. Enquanto a carta de Lula visava acalmar a economia para governar para o povo, a de Flávio tem um alvo bem específico: os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo não é a pacificação do país, mas sim a garantia de que, caso chegue ao poder, não haverá "revanchismo", ou seja, uma promessa de impunidade para as atrocidades cometidas por sua família.
Para dar um ar de seriedade a essa capitulação disfarçada de diplomacia, Flávio conta com fiadores que conhecem bem os bastidores dos acordos de cúpula: o ex-presidente Michel Temer e o governador Tarcísio de Freitas. A presença de Temer, o arquiteto do golpe contra Dilma, e de Tarcísio, o herdeiro do bolsonarismo que tenta posar de moderado, revela que a estratégia é cercar o judiciário com figuras que transitam bem entre o "centrão" e a elite econômica. É o estabelecimento de um balcão de negócios onde a moeda de troca é a estabilidade dos ministros em troca do esquecimento dos crimes da extrema-direita.
Nos corredores de Brasília, a informação é que figuras como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes estariam "putos com o Lula" e teriam sido receptivos à sinalização de Flávio. Essa suposta insatisfação com o atual governo seria a brecha necessária para que o bolsonarismo tentasse uma reaproximação estratégica. Flávio Bolsonaro já começou a dar provas de sua nova "lealdade" ao atacar duramente a CPI da Toga, chamando seus articuladores de hipócritas e classificando a investigação contra os ministros como inconstitucional. É o beija-mão público em troca de sobrevivência política.
Os ministros, por sua vez, teriam exigido sinais claros de que a agressividade característica da família Bolsonaro daria lugar a uma postura de submissão às regras do jogo. Alexandre de Moraes teria dado o primeiro passo nessa dança de interesses ao permitir que um assessor de Donald Trump visitasse Jair Bolsonaro na prisão. Esse gesto, que soa como um aceno diplomático, é parte de um jogo de xadrez onde a justiça corre o risco de ser sacrificada no altar da "governabilidade" e dos acordos de bastidor que tanto agradam à direita brasileira.
Enquanto a carta está sendo discutida no PL e entre os principais articuladores da campanha de Flávio, permanece a dúvida se o patriarca, Jair Bolsonaro, concorda com tamanha humilhação perante o "sistema" que ele tanto jurou combater. A verdade é que o bolsonarismo, quando acuado pela lei, não hesita em se ajoelhar diante daqueles que chamava de inimigos. A tentativa de criar uma "Carta aos Brasileiros" versão 2.0 é, na realidade, uma confissão de medo e uma busca desesperada por um salvo-conduto que proteja a prole e o legado de destruição deixado pelo ex-presidente.
O povo brasileiro, que assistiu a quatro anos de ataques diários à democracia, agora vê o "filho 01" tentar vender uma imagem de pacificador. É a hipocrisia em sua forma mais pura: o mesmo grupo que incentivou o 8 de janeiro agora prega a "harmonia entre os poderes" apenas para evitar o rigor da lei. Se esse pacto com o STF se concretizar sob a benção de Temer e Tarcísio, será a prova de que a elite política ainda acredita que pode resolver tudo entre quatro paredes, ignorando a vontade popular e a necessidade de responsabilização pelos crimes cometidos contra a República.
Com informações da Fórum
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.