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A extrema direita brasileira vive um momento de canibalismo explícito e guerra de egos. Na última quarta-feira, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), impôs uma derrota amarga às pretensões do clã Bolsonaro ao rejeitar categoricamente a proposta de desistir de sua pré-candidatura presidencial para ser vice de Flávio Bolsonaro (PL). O movimento, liderado pelo senador Rogério Marinho, expõe o desespero do bolsonarismo em tentar unificar um campo que está cada vez mais fragmentado e ciente de que a liderança da família Bolsonaro é baseada apenas em autoritarismo e conveniência eleitoral.
O encontro em Brasília, que deveria selar um pacto de união, terminou em tom de ameaça. Rogério Marinho, agindo como braço direito do "filho 01", deixou claro que, se Ratinho Jr. não se ajoelhar perante o PL até o dia 17, a aliança no Paraná será rompida. É a tática clássica da milícia política: ou o apoio é total e submisso, ou o partido buscará a destruição do aliado. O PL já ventila o apoio a outros nomes para o governo estadual, como o ex-juiz suspeito Sergio Moro, apenas para garantir um palanque exclusivo para Flávio Bolsonaro no estado.
A postura de Ratinho Jr. reflete o racha profundo no PSD de Gilberto Kassab, que busca viabilizar uma alternativa própria para 2026, longe da sombra tóxica do bolsonarismo radical. Enquanto Ratinho, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado disputam quem representará a sigla, o clã Bolsonaro tenta, através da chantagem, impedir que novas lideranças da direita ganhem musculatura própria. Para os bolsonaristas, não importa o projeto de país, mas sim a sobrevivência política da prole, que agora tenta desesperadamente se agarrar ao poder através do Senado ou de uma aventura presidencial fadada ao fracasso.
Nos bastidores, a possível aliança entre o PL e Sergio Moro para o governo do Paraná soa como um casamento de conveniência entre traidores. Moro, que já foi descartado por Bolsonaro e depois voltou a orbitar o esquema para evitar o isolamento, agora pode ser usado como peça de vingança contra Ratinho Jr. O nível das articulações, que envolvem nomes como Ciro Nogueira e o investigado Antônio Rueda, mostra que a "nova política" prometida pela direita nada mais é do que o velho fisiologismo de balcão, onde cargos e palanques são trocados sob ameaça.
Enquanto a direita se despedaça em brigas por protagonismo, o Brasil observa o nível de descompromisso dessas figuras com a estabilidade institucional. A tentativa de forçar Ratinho Jr. a ser vice de Flávio Bolsonaro é um escárnio com o eleitor paranaense, que vê seu estado ser usado como moeda de troca em um jogo de xadrez familiar. O ultimato de Rogério Marinho é a prova definitiva de que, para os aliados de Bolsonaro, a democracia interna e a autonomia dos estados não valem nada diante da necessidade de blindar o clã.
O desfecho dessa crise no Paraná será o termômetro do isolamento de Jair Bolsonaro e sua família. Se o PSD mantiver a candidatura própria e resistir à pressão do PL, o bolsonarismo sairá ainda mais enfraquecido, restrito a uma bolha cada vez mais radicalizada e menos influente. O povo brasileiro já deu o recado nas urnas: quer governantes que trabalhem, e não políticos que gastam o tempo em reuniões de bastidor para decidir quem será o vice de quem em uma chapa movida pelo medo e pelo oportunismo.
Com informações do DCM
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