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O Instituto Conhecer Brasil, uma organização da sociedade civil controlada por Karina Ferreira da Gama — que também é a dona da produtora responsável pelo documentário "Dark Horse", sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro —, utilizou dados cadastrais de cidadãos paulistanos que acessavam a rede pública Wi-Fi Livre para finalidades estritamente políticas e eleitorais. A entidade havia firmado um contrato milionário com a gestão do prefeito Ricardo Nunes na cidade de São Paulo, recebendo cerca de 108 milhões de reais para gerenciar os pontos de internet na capital paulista, mas acabou transformando o serviço público em uma verdadeira máquina de captação de informações para a extrema-direita.
As investigações apontam que a organização subcontratou a empresa Talk Communications por 2,7 milhões de reais com o objetivo explícito de realizar ações de marketing promocional e disparos massivos, que possuíam um potencial de alcance estimado em mais de 8 milhões de mensagens direcionadas. Segundo os termos contratuais estabelecidos entre as partes, cabia expressamente à ONG o fornecimento dos contatos pessoais e telefônicos coletados a partir do cadastro obrigatório que os usuários faziam para se conectar à internet gratuita fornecida pelo município, ignorando totalmente os preceitos legais vigentes de proteção à privacidade.
Esse modus operandi criminoso repete as táticas espúrias que o bolsonarismo e filhos de Bolsonaro sempre utilizaram para manipular o debate público por meio da desinformação, violando de maneira flagrante a Lei Geral de Proteção de Dados e as diretrizes do Marco Civil da Internet. O esquema funcionava como um poderoso arrastão de monitoramento civil, mapeando de forma massiva os moradores da periferia de São Paulo para alimentar bancos de dados que serviram de suporte ideológico e eleitoral para a direita local durante a campanha municipal de 2024.
O Tribunal de Contas do Município de São Paulo já havia emitido alertas contundentes a respeito de irregularidades graves no edital de chamamento público que culminou na contratação da entidade, apontando que o Instituto Conhecer Brasil foi o único participante do processo e não possuía nenhum tipo de experiência prévia no mercado de telecomunicações. Além disso, a gestão de Ricardo Nunes aceitou pagar valores inflacionados de aproximadamente 800 reais mensais por cada ponto instalado e autorizou aditivos contratuais que somaram mais de 49 milhões de reais aos cofres públicos, antecipando pagamentos de forma totalmente irregular antes mesmo que os serviços fossem efetivamente entregues à população.
Diante do volume avassalador de indícios de fraude licitatória, desvio de finalidade e vazamento ilegal de dados pessoais, a Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou uma operação oficial de busca e apreensão para recolher documentos e provas nos endereços ligados à presidente da ONG, à produtora cinematográfica Goup e também nas dependências da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. Administrações alinhadas ao bolsonarismo demonstram como utilizam a máquina estatal para favorecer aliados e capturar a privacidade da população de forma vil.
A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia limitou-se a declarar publicamente que desconhece qualquer espécie de compartilhamento externo de dados dos usuários cadastrados na rede pública, alegando que o programa de internet opera em total conformidade e que fiscaliza o termo de cooperação assinado com a entidade civil. Por sua vez, a defesa de Karina Ferreira da Gama sustentou que todas as tratativas e execuções orçamentárias com o município de São Paulo ocorreram dentro das regularidades exigidas pela lei, muito embora os contratos assinados e os repasses financeiros apontem o envolvimento direto da produtora do filme de Jair Bolsonaro em um dos maiores escândalos de uso ilegal de dados da história recente da capital.
Com informações do Basil 247
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