O deputado federal Luciano Zucco, candidato da extrema direita ao governo do Rio Grande do Sul pelo PL, protagonizou mais um lamentável episódio de violência política de gênero ao ostentar no peito um adesivo com o rosto da ex-deputada Manuela D’Ávila (PSOL) riscado em vermelho, imitando um alvo. O gesto covarde e misógino, acompanhado da expressão “Anti-Manu”, ocorreu durante o período de convenções partidárias e foi denunciado publicamente por Manuela nas redes sociais nesta segunda-feira (27). A agressão simbólica substitui qualquer debate de propostas por um recado explícito de eliminação política, agravando o histórico de perseguição que a candidata do PSOL e sua família enfrentam há mais de uma década por parte de seguidores radicais de Jair Bolsonaro.
Ao repudiar o ataque, Manuela recordou o longo histórico de mentiras, montagens e ameaças de morte que a afastaram das disputas eleitorais por seis anos, ressaltando a gravidade de ter seu rosto marcado em um estado com altos índices de feminicídio. Em carta aberta direcionada ao próprio Zucco, a candidata questionou a conduta do bolsonarista e sugeriu que ele tentasse explicar o símbolo de ódio à própria filha, revelando a dor de ter de explicar a agressão à sua. O episódio ocorre no momento em que Manuela lidera as intenções de voto para o Senado no estado com 30,7%, empatada tecnicamente com Marcel van Hattem (Novo) e Germano Rigotto (MDB), enquanto Zucco disputa o governo estadual contra Juliana Brizola (PDT), em uma aliança progressista apoiada pelo PT.
A postura agressiva do candidato do PL reflete o desespero e o método truculento da extrema direita no Rio Grande do Sul, evidenciado também por declarações do presidente estadual da legenda, Giovani Cherini, que incitou um tom de confronto ao afirmar que a disputa seria sem regras. O bloco bolsonarista no estado reúne partidos conservadores em torno da candidatura de Zucco e tenta barrar a frente democrática formada por PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB, PV, Rede e Avante, que lançou também o ex-ministro Paulo Pimenta ao Senado. O uso de táticas de intimidação por Zucco expõe a incapacidade da extrema direita de conviver com o contraditório e com a liderança de mulheres na política.
As agressões contra Manuela D’Ávila não representam um fato isolado, mas sim a continuidade da máquina de desinformação e ataques sistemáticos operada por apoiadores de Jair Bolsonaro desde 2018. Durante a campanha presidencial daquele ano, a ex-deputada foi alvo de montagens grotescas e acusações falsas que buscaram destruir sua imagem pública, estratégia que se repetiu em 2020 e 2022 com ameaças direcionadas inclusive à sua filha, quando esta tinha apenas seis anos. A utilização do adesivo como marca de campanha comprova que o bolsonarismo segue utilizando o preconceito e o incentivo à violência como ferramentas fundamentais de atuação eleitoral.
Até o momento, o deputado Luciano Zucco não apresentou justificativas para o uso do material ofensivo. O avanço de candidaturas progressistas no Rio Grande do Sul reacende a reação violenta dos grupos extremistas, que recorrem ao ataque pessoal diante da falta de projetos para a população gaúcha. A resistência de Manuela D’Ávila e da frente democrática reafirma o compromisso de combater a misoginia e defender o direito das mulheres de ocuparem espaços de poder de forma segura e soberana.
Com informações da Fórum
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