538 visitas - Fonte: PlantãoBrasil
O Partido Novo confirmou a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República durante convenção realizada em Brasília, mantendo em aberto a vaga de vice. Em uma demonstração clara de aceno ao eleitorado radical de extrema direita, Zema declarou abertamente que concederá indulto ao inelegível e investigado Jair Bolsonaro caso seja eleito, além de defender a anistia para os criminosos envolvidos na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro. No evento, o presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, adotou um tom virulento de ataques ao Partido do Trabalhadores, evidenciando o alinhamento do Novo com a retórica de intolerância política.
Estagnado com apenas 3% das intenções de voto no último levantamento Datafolha, Zema enfrenta forte resistência interna e isolamento político para compor sua chapa majoritária. O ex-governador trava uma disputa direta pelos votos da direita com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 32%, e com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que soma 4%. Para tentar viabilizar a candidatura, interlocutores da legenda ventilam nomes como o do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa para a vice, enquanto a própria bancada do Novo pressiona Zema a moderar o tom contra os membros da família Bolsonaro para não afastar a base conservadora.
Em seu discurso, Zema buscou se distanciar dos escândalos financeiros que atingem a extrema direita, citando o caso do Banco Master e provocando adversários ao questionar quem teria estendido "tapete vermelho" em Brasília para o empresário Daniel Vorcaro e viajado em suas aeronaves. No entanto, o candidato do Novo alinhou-se perfeitamente às pautas mais radicais do bolsonarismo ao defender abertamente o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, sugerindo ainda o afastamento de Gilmar Mendes e propor restrições às decisões da Suprema Corte.
A plataforma econômica e social apresentada pelo candidato reacende a agenda privatista e punitivista, incluindo a liquidação de empresas públicas, o corte de benefícios sociais e a polêmica proposta de construção de um presídio de segurança máxima na Amazônia. Além da pauta ultraconservadora, a convenção marcou a consolidação do abandono dos antigos discursos da sigla sobre o financiamento público: o Partido Novo confirmou que utilizará cerca de R$ 80 milhões provenientes do fundo partidário e do fundo eleitoral para bancar a campanha de Zema e de cerca de 150 candidatos ao Legislativo.
O alinhamento de Romeu Zema com a defesa de golpistas e o perdão a crimes contra a democracia revela a tentativa desesperada do empresário mineiro de capturar o espólio político da extrema direita diante de seu fraco desempenho nas pesquisas eleitorais. A insistência em promover ataques às instituições republicanas e ao processo democrático reforça o perfil reacionário da candidatura do Novo, que opta por priorizar o perdão a infratores e a retirada de direitos sociais como eixos de sua atuação política nas eleições de 2026.
Assista ao vídeo:
Meu nome é Zema. pic.twitter.com/F6betvxyyD
— Romeu Zema (@RomeuZema) July 27, 2026