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2/6/2017 14:09

Embaixadores pedem Diretas Já, 115 diplomatas assinam documento pela saída de Temer

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286185 visitas - Fonte: brasil247

Até a política externa e a diplomacia ingressaram ontem na crise política interna. O documento oficial criticando a “falta de estratégia” na política externa foi bombardeado por críticas e renegado pelo próprio governo, enquanto diplomatas lançavam manifesto defendendo a retomada do diálogo, do pacto democrático e das eleições no pais.







O manifesto, subscrito inicialmente por 115 diplomatas, externa preocupação com os ’prejuízos que a persistência da instabilidade política traz aos interesses nacionais de longo prazo’, e conclama as forças políticas do pais a restabelecerem o diálogo e o pacto democrático, em busca de um novo ciclo de desenvolvimento, “legitimado pelo voto popular e em consonância com os ideais de justiça socioambiental e de respeito aos direitos humanos.” O documento continuava circulando ontem à noite por embaixadas e consulados mundo afora, aberto a novas subscrições.



À noite, após uma torrente de criticas demolidoras, o Planalto divulgou nota negando paternidade governamental ao documento “Brasil, “Brasil, um país em busca de uma grande estratégia”, assinado pelo por Hussein Kalout, Secretário de Assuntos Estratégicos, e por seu adjunto, Marcos Degaut. Segundo a nota, o texto “não reflete princípios, posições ou prioridades da política externa do governo do presidente Michel Temer. Tampouco orienta ou subsidia sua ação diplomática. O governo reitera que se trata de produção de cunho estritamente acadêmico e pessoal, tal como mencionado na apresentação do estudo.”



O documento, entretanto, é assinado por autoridades governamentais e o texto é precedido da apresentação de um ministro de Estado, Moreira Franco, titular da Secretaria Geral da Presidência da República. Nele os autores afirmam que ao Brasil, nos governos Lula e Dilma e também no atual, uma estratégia coerente de inserção internacional, como se toda a atuação internacional brasileira tivesse sido errática e improvisada.



A reação mais contundente veio do ex-chanceler Celso Amorim, que ficou no cargo por oito anos, ao longo do governo Lula, período em que o Brasil conseguiu uma indiscutível e inédita projeção no cenário internacional, que lhe valeu até mesmo o epíteto de “melhor chanceler do mundo”. Pode-se discordar da estratégia, disse Amorim à Folha de São Paulo, mas dizer que ela não existiu revela má fé ou ignorância. Em sua gestão o Brasil tornou-se um “player” importante no multilateralismo global e teve papel ativo na construção de novas instituições, como o G-20 comercial. Ele recordou também que os BRICS nasceram do interesse de Rússia e da China pelo IBAS, o grupo formado por India, Brasil e África do Sul, com decidido empenho do Brasil. E recordou que, pela primeira vez, num mesmo período, o Brasil conseguiu emplacar os dirigentes de dois organismos importantes como a OMC (Roberto Azevedo) e a FAO (Jose Graziano). As críticas ao documento partiram também de diplomatas e estudiosos de relações internacionais. O atual chanceler, Aloysio Nunes Ferreira, classificou-o como “bobagem”.



Leia a íntegra do manifesto dos diplomatas:



DIPLOMACIA E DEMOCRACIA







Nós, servidoras e servidores do Ministério das Relações Exteriores, decidimos nos manifestar publicamente em razão do acirramento da crise social, política e institucional que assola o Brasil. Preocupados com seus impactos sobre o futuro do país e reconhecendo a política como o meio adequado para o tratamento das grandes questões nacionais, fazemos um chamado pela reafirmação dos princípios democráticos e republicanos.







2. Ciosos de nossas responsabilidades e obrigações como integrantes de carreiras de Estado e como cidadãs e cidadãos, não podemos ignorar os prejuízos que a persistência da instabilidade política traz aos interesses nacionais de longo prazo. Nesse contexto, defendemos a retomada do diálogo e de consensos mínimos na sociedade brasileira, fundamentais para a superação do impasse.



3. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a consolidação do estado democrático de direito permitiu significativas conquistas, com reflexos inequívocos na inserção internacional do Brasil. Atualmente, contudo, esses avanços estão ameaçados. Diante do agravamento da crise, consideramos fundamental que as forças políticas do país, organizadas em partidos ou não, exercitem o diálogo, que deve considerar concepções dissonantes e refletir a diversidade de interesses da população brasileira.



4. Para que esse diálogo possa florescer, todos os setores da sociedade devem ter assegurado seu direito à expressão. Nesse sentido, rejeitamos qualquer restrição ao livre exercício do direito de manifestação pacífica e democrática. Repudiamos o uso da força para reprimir ou inibir manifestações. Cabe ao Estado garantir a segurança dos manifestantes, assim como a integridade do patrimônio público, levando em consideração a proporcionalidade no emprego de forças policiais e o respeito aos direitos e garantias constitucionais.



5. Conclamamos a sociedade brasileira, em especial suas lideranças, a renovar o compromisso com o diálogo construtivo e responsável, apelando a todos para que abram mão de tentações autoritárias, conveniências e apegos pessoais ou partidários em prol do restabelecimento do pacto democrático no país. Somente assim será possível a retomada de um novo ciclo de desenvolvimento, legitimado pelo voto popular e em consonância com os ideais de justiça socioambiental e de respeito aos direitos humanos.



SIGNATÁRIAS/OS:



Adriana Telles Ribeiro



Adriano Botelho



Alexey Van der Broocke



Alfonso Lages Besada



Álvaro Alberto de Sá Fagundes



Alvaro Augusto Guedes Galvani



Amintas Angel Cardoso Santos Silva



Ana Claudia Milhomem Freitas Figueira Neves



André Pinto Pacheco



André Souza Machado Cortez



Andréia Cristina Nogueira Rigueira



Antonio Cottas de Jesus Freitas



Bianca Xavier de Abreu



Bruno d’Abreu e Souza



Bruno de Toledo de Almeida



Bruno Rizzi Razente



Candice Sakamoto Souza Vianna



Carlos Augusto Carvalho Dias



Carlos Henrique Pissardo



Carlos Kessel



Carlos Sousa de Jesus Junior



Catarina da Mota Brandão de Araújo



Celeste Cristina Machado Badaró



Celia del Bubba



Chateaubriand Chapot Xavier Bezerra Neto



Claudia Assaf Bastos Rebello



Cláudia Maria de Liz Köche



Claudio Roberto Herzfeld de Castro



Cristiano José de Carvalho Rabelo



Daniel Machado da Fonseca



Davi de Oliveira Paiva Bonavides



Delma Nogueira da Mota



Eden Clabuchar Marting



Érika Vanessa Silva Souza



Ernesto Batista Mané Júnior



Fabianne Corrêa Dias de Jesus



Fabricio Araújo Prado



Felipe Afonso Ortega



Felipe Antunes de Oliveira



Felipe Dutra de Carvalho Heimburger



Felipe Pinchemel Cotrim dos Santos



Fernanda Mansur Tansini



Francisco Figueiredo de Souza



Gabriela Guimarães Gazzinelli



Gianina Müller Pozzebon



Gustavo da Cunha Westmann



Gustavo de Britto Freire Pacheco



Gustavo Meira Carneiro



Hamad Mota Kalaf



Helder Fernandes Dantas



Helen Roberta de Souza da Conceição de Almeida



Helena Lobato da Jornada



Hélio Forjaz Rodrigues Caldas



Hugo Lorenzetti Neto



Ilka Hitomi Joko Veltman



Isabela D’Ávila Vieira



Jackson Luiz Lima Oliveira



João André Silva de Oliveira



João Paulo Marão



José Joaquim Gomes da Costa Filho



José Roberto Rocha Filho



José Vicente Moreira Mello



Juliana Cardoso Benedetti



Julio de Oliveira Silva



Krishna Mendes Monteiro



Lara Lobo Monteiro



Larissa Maria Lima Costa



Laura Berdine Santos Delamonica



Leonardo Augusto Balthar de Souza Santos



Leonardo Carvalho Collares



Ligia Rissato Garofalo



Lilian Cristina Nascimento Pinho



Livia Oliveira Sobota



Luana Alves de Melo



Luis Gustavo Castro Ribeiro Marques



Luis Gustavo de Seixas Buttes



Luiz Fellipe Flores Schmidt



Luiz Guilherme Costa Koury



Luiza Maria de Lima Horta Barbosa



Luzia Cristina Lopes Cattini



Marcelo Almeida Cunha Costa



Marcelo Moraes Caetano



Márcia Fernanda Tavares Weigert



Márcio Gustavo Medeiros Barbosa



Marco Sparano



Marcus Vinicius Moreira Marinho



Maria Carolina Gomes de Azeredo Souza



Maria Clara Tavares Cerqueira



Maria das Dores da Silva Lima Filha



Maria Lima Kallás



Maria Luiza de França Coelho de Souza



Mariana Flores da Cunha Bierrenbach Benevides



Mariana Lobato Benvenuti



Mario Augusto Morato Pinto de Almeida



Marizete Gouveia Damasceno Scott



Mateus Cacique Moraes



Mateus Drumond Caiado



Matheus Machado de Carvalho



Maurício Martins do Carmo



Mayra Tiemi Yonashiro Saito



Mozart Grisi Correia Pontes



Nássara Azeredo Souza Thomé



Patricia da Rocha Canuto



Paula Rassi Brasil



Pedro Henrique Bandeira Brancante Machado



Pedro Ivo Ferraz da Silva



Pedro Vieira Veiga



Rafael Caminha de Carvalho Beltrami



Rafael Lourenço Beleboni



Rafael Prince Carneiro



Ramiro dos Santos Breitbach



Raul Torres Branco



Reinaldo Freitas Cortez



Renata Angélica Rossi



Renata Maria Braga Santos



Renata Negrelly Nogueira



Renato José Stancato de Souza



Ricardo Kato de Campos Mendes



Ricardo Martins Rizzo



Roberta Maria Lima Ferreira



Rodrigo Sergio de Medeiros



Rodrigo Ponciano Guedes Bastos dos Santos



Rodrigo Valle da Fonseca



Rômulo Milhomem Freitas Figueira Neves



Rosa Maria de Vassimon Brandão



Rui Santos Rocha Camargo



Sandra Maria Nepomuceno Malta dos Santos



Saulo Arantes Ceolin



Sérgio Carvalho de Toledo Barros



Sydma Aguiar Damasceno



Thiago Carvalho de Medeiros



Thiago Melamed de Menezes



Thomaz Alexandre Mayer Napoleão



Túlio César Mourthé de Alvim Andrae



Vivian Alves Rodrigues da Silva



Viviane Ferreira Lopes Diniz



Wellington Muller Bujokas

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