Política · Segurança

Série investigativa expõe como política armamentista de Bolsonaro alimentou o crime organizado

Novo episódio da série Revelando detalha o impacto da flexibilização de armas no fortalecimento de facções e o papel de figuras políticas na desarticulação de controles.

Foto: Política de armas de Bolsonaro - Eduardo Bolsonaro com a compra de armas nos EUA e em meio a fuzis (Reprodução) · Original e licença

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, a série investigativa 'Revelando' lançou neste sábado (24) o episódio 'Uma Dor Familiar'. A produção, conduzida pela diretora Alessandra Orofino, conecta a política de flexibilização de armas adotada durante o governo de Jair Bolsonaro ao fortalecimento de facções criminosas e ao aumento da violência que atinge diretamente as famílias brasileiras.

O projeto, que conta com parcerias do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Mídia Ninja e 342 Artes, utiliza dados do Instituto Sou da Paz para ilustrar como o acesso facilitado a armamentos e munições, especialmente por meio da categoria de CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores), criou brechas exploradas pelo crime organizado. Entre 2016 e outubro de 2026, foram mapeados 92 casos de envolvimento de CACs com facções como o PCC e o Comando Vermelho.

Além do desvio de armas, a investigação aponta para o abastecimento de munições. Um levantamento do Sou da Paz sobre cartuchos apreendidos com o Comando Vermelho revelou que 40,9% das munições de fabricação original eram brasileiras, sendo que mais da metade possuía códigos de rastreabilidade institucional, indicando que saíram originalmente de órgãos de segurança ou das Forças Armadas.

O debate sobre o controle desses materiais também envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL). O parlamentar é um dos defensores do projeto de lei 3.723/2019, que propõe a revogação do artigo 23 do Estatuto do Desarmamento. A medida, se aprovada, eliminaria a exigência de identificação de munições, dificultando o rastreamento de cartuchos encontrados em cenas de crimes.

Em resumo

  • A série 'Revelando' expõe como a política de armas de Bolsonaro facilitou o acesso de facções a armamentos legais.
  • Dados do Instituto Sou da Paz mostram que 40,9% das munições apreendidas com o Comando Vermelho eram de fabricação brasileira.
  • O senador Flávio Bolsonaro defendeu projeto que retira a obrigatoriedade de identificação de munições, medida criticada por especialistas em segurança.

Fonte: Revista Fórum

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