Política · Justiça

Movimentos sociais intensificam pressão por indicação de mulher negra ao STF

Após a vitória nas urnas, grupos femininos e entidades da sociedade civil cobram que o presidente Lula corrija o histórico de exclusão no Supremo Tribunal Federal.

Foto: Visitante tira foto de painel com as três únicas mulheres indicadas para o STF (Supremo Tribunal Federal) em toda a história: Rosa Weber, Cármen Lúcia e Ellen Gracie - Rosinei Coutinho/19.ago.23/Divulgação STF · Original e licença

Após garantir a vitória nas urnas, o presidente eleito Lula (PT) reforçou em seus discursos o compromisso de governar para todos, com ênfase no papel decisivo das mulheres em sua base de apoio. Agora, o desafio que se impõe ao Palácio do Planalto é transformar esse reconhecimento em representatividade real nos espaços de poder, especificamente no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nas redes sociais, a mobilização ganha força com a exigência de que a próxima vaga na Corte seja ocupada por uma mulher negra. O histórico do tribunal é marcado por uma ausência persistente: em 135 anos e 172 ministros nomeados, apenas três mulheres e três homens negros integraram a Corte, sendo que nenhuma mulher negra jamais ocupou uma cadeira no STF.

O cenário político, contudo, apresenta obstáculos. A partir de 2027, o Senado terá maioria de direita, com o PL de Flávio Bolsonaro detendo a maior bancada. Essa configuração parlamentar impõe um desafio adicional para a aprovação de nomes que enfrentem resistência conservadora, o que tem levado movimentos sociais a buscarem apoio de figuras influentes, como o deputado federal André Janones (Rede-MG), para articular a pressão popular.

Entre os nomes que ganham destaque nas articulações da sociedade civil está o da juíza Karen Luise Vilanova Batista de Souza. Com trajetória reconhecida na magistratura e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Karen é vista como uma referência em políticas de equidade racial. Em declarações passadas, a magistrada destacou que a presença de uma mulher negra no Supremo seria uma propulsora de igualdade racial.

Lula terá quatro oportunidades de realizar indicações ao STF até o fim de seu mandato, incluindo a vaga aberta pela saída de Luís Roberto Barroso. A expectativa dos movimentos é que o governo utilize essas chances para refletir a diversidade da população brasileira, superando as frustrações de indicações anteriores que não contemplaram o pleito por representatividade de gênero e raça.

Em resumo

  • Movimentos sociais pressionam Lula por uma indicação inédita de mulher negra ao STF.
  • O histórico do tribunal registra apenas três mulheres e três homens negros em 135 anos.
  • A juíza Karen Luise Vilanova Batista de Souza é um dos nomes sugeridos por entidades.
  • O governo enfrentará um Senado com maioria de direita a partir de 2027, dificultando a aprovação de indicações.

Fonte: Folha de S.Paulo

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