Economistas rechaçam pressão do mercado e exigem taxação dos super-ricos
Cinquenta especialistas assinam manifesto contra cortes sociais e pedem que o governo Lula priorize a justiça tributária e o crescimento econômico em vez de ceder às exigências da Faria Lima.

Foto: O presidente Lula (PT). Foto: Diego Herculano/Reuters · Original e licença
Um grupo de cinquenta economistas e especialistas de diversas instituições acadêmicas e sindicais divulgou, nesta sexta-feira (30), um manifesto intitulado As urnas decidiram. O documento é uma resposta direta à pressão do mercado financeiro, que, após a reeleição de Lula, tem exigido cortes profundos no orçamento público. Os signatários argumentam que o governo não deve repetir a cartilha de austeridade defendida pela oposição derrotada nas urnas.
A proposta central do grupo é que o equilíbrio das contas públicas seja alcançado por meio da justiça tributária, e não pelo desmonte de políticas sociais. Os especialistas sugerem que o governo amplie a cobrança de impostos sobre dividendos, juros sobre capital próprio e rendimentos de aplicações financeiras que atualmente gozam de isenção. A ideia é que essas medidas sejam aprovadas pelo Congresso até o final de dezembro, garantindo um aumento na arrecadação a partir de 2027.
Além da reforma tributária, o manifesto propõe uma mudança na regra fiscal. O grupo defende que investimentos públicos, aportes em estatais e gastos com saúde, educação e o programa Bolsa Família sejam retirados do limite de despesas e da meta de resultado primário. Para os autores, a sustentabilidade da dívida brasileira não depende de cortes, mas sim da retomada do crescimento econômico e da redução dos juros, que hoje consomem uma fatia expressiva do PIB.
O texto também critica a condução da política monetária e pede uma revisão na meta de inflação, além de uma postura mais ativa para a redução da taxa Selic. Segundo os signatários, o Banco Central deveria priorizar o pleno emprego e o barateamento do crédito para famílias e pequenas empresas, que enfrentam níveis recordes de inadimplência. O documento reforça que o governo eleito por um movimento popular não pode se curvar aos interesses dos setores mais ricos que apoiaram a candidatura derrotada.
Em resumo: - O manifesto propõe taxar dividendos e aplicações financeiras isentas para evitar cortes em áreas sociais. - Especialistas pedem a exclusão de investimentos em saúde, educação e Bolsa Família das metas fiscais. - O grupo defende a redução da Selic e a revisão da meta de inflação para estimular a economia. - Os signatários rejeitam a pressão do mercado por austeridade e exigem que o governo siga o programa aprovado nas urnas.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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