O desafio de Lula 4: a busca por proteção para quem vive na informalidade
Trabalhadores autônomos e ambulantes de São Paulo reivindicam políticas públicas e segurança financeira no início do novo mandato presidencial.

Foto: Motoboy Crédito: Prefeitura de Curitiba · Original e licença
O início do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva traz à tona a urgência de dialogar com uma vasta camada da população que opera à margem da Consolidação das Leis do Trabalho. Em São Paulo, ambulantes, entregadores e pequenos empreendedores buscam do governo federal medidas que garantam estabilidade financeira e proteção contra os riscos inerentes à falta de vínculo formal, um movimento que exige sintonia fina entre Brasília e as gestões municipais.
O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, docente da ESPM e da Fesp-SP, observa que o campo progressista precisa superar a dificuldade de se conectar com as novas formas de trabalho. Segundo o especialista, o governo tem dado passos importantes ao oferecer crédito e subsídios para motoristas de aplicativo e MEIs, mas o desafio é ampliar esse leque de proteção para incluir quem está totalmente na informalidade, combatendo a ideia de que o esforço individual isolado é a única via de ascensão social.
Nas ruas, a percepção é de um equilíbrio precário entre a liberdade de gerir o próprio tempo e a vulnerabilidade extrema. Luana Gomes, que vende lanches na Vila Clementino, relata que prefere a autonomia do comércio ambulante, apesar de reconhecer que qualquer problema de saúde interrompe imediatamente sua fonte de renda. Ela, que hoje atua regularizada pelo programa municipal Tô Legal, sonha com uma infraestrutura fixa que lhe dê mais dignidade.
Já no setor de entregas, a demanda é por reconhecimento e melhores condições. O motoboy Juan Souza destaca que, embora a categoria valorize a independência, sente falta de políticas que tragam credibilidade e benefícios reais para quem enfrenta o trânsito diariamente. Para muitos, a ausência de um suporte estatal robusto torna a profissão um exercício constante de sobrevivência, agravado por custos operacionais que frequentemente não são contabilizados pelos trabalhadores.
A situação é ainda mais crítica para quem atua sem licença, como ocorre no Brás. Vendedores ambulantes relatam que as ações de fiscalização, conhecidas como rapa, resultam em prejuízos financeiros severos, que podem chegar a milhares de reais e comprometer o sustento de famílias inteiras por semanas. Eles defendem que o poder público deveria focar em formas de permitir o trabalho digno em vez de apenas punir quem busca o próprio sustento nas calçadas.
Em resumo: 1. Trabalhadores informais e autônomos exigem maior respaldo institucional e segurança financeira do governo federal. 2. Especialistas defendem a expansão de políticas de proteção social para além da CLT para dialogar com a nova realidade do trabalho. 3. A fiscalização municipal e a falta de infraestrutura adequada continuam sendo os maiores obstáculos para a sobrevivência de ambulantes nas grandes cidades.
Fonte: Brasil 247

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