Política · Economia · Mundo

Custo de vida sufoca eleitorado e coloca governo Trump em xeque antes das eleições

Às vésperas das eleições legislativas, a economia dos EUA vive um paradoxo: crescimento do PIB e desemprego baixo contrastam com a inflação que corrói o poder de compra das famílias.

Foto: O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de um evento para discursar na Comissão de Liberdade Religiosa da Casa Branca, no Museu da Bíblia, em Washington Crédito: REUTERS/Evelyn Hockstein · Original e licença

A poucos dias das eleições legislativas de 3 de novembro, o governo de Donald Trump enfrenta um cenário de forte descontentamento popular. Embora os indicadores macroeconômicos apontem um crescimento anualizado de 3,4% no último trimestre, a realidade vivida pelas famílias norte-americanas é marcada pela persistência da inflação e pelo encarecimento do crédito, fatores que corroem o poder de compra e geram ceticismo sobre a gestão econômica da Casa Branca.

O descompasso entre os números oficiais e a percepção do cidadão comum é evidente. Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho revelam que, desde janeiro de 2025, tanto os preços ao consumidor quanto a remuneração média por hora subiram cerca de 5,5%. Na prática, isso significa que o trabalhador não teve ganho real de renda, vendo seu salário ser integralmente absorvido pela alta no custo de combustíveis, energia e alimentação.

A situação é agravada pelo conflito no Oriente Médio. A guerra iniciada após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, que já dura oito meses, pressionou os preços internacionais do petróleo. Somado a isso, a política tarifária adotada pelo governo Trump tem sido apontada por economistas como um motor adicional para a inflação, enquanto o Federal Reserve, sob o comando de Kevin Warsh, mantém uma política de juros elevados que encareceu as hipotecas de 30 anos para patamares acima de 7%.

O mercado de trabalho, contudo, mantém uma resiliência histórica, com desemprego em 4,2% em setembro. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, minimizou o pessimismo dos eleitores, afirmando que o comportamento das empresas e dos consumidores permanece sólido. Contudo, o otimismo oficial ignora que os ganhos no mercado acionário, impulsionados por investimentos em inteligência artificial, beneficiam desproporcionalmente as famílias de renda mais alta, aprofundando a desigualdade social.

Em resumo

  • A inflação e os juros altos anularam os ganhos salariais dos trabalhadores desde 2025.
  • O conflito no Oriente Médio e a política tarifária de Trump pressionam o custo de vida.
  • O crescimento do PIB de 3,4% é sustentado por investimentos em IA e consumo de alta renda.
  • A compra da casa própria tornou-se inacessível para grande parte da população devido às taxas de hipoteca.

Fonte: Brasil 247

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaGabrielli defende debate sobre nova política de juros e critica austeridade