Reforma eleitoral na Câmara enfrenta resistência e ameaça planos do Centrão
Articulação de Hugo Motta para implementar o voto distrital misto divide parlamentares e encontra forte oposição do PL, que busca manter o sistema atual.

Uma articulação liderada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para reformar o sistema eleitoral brasileiro está enfrentando turbulências internas. O objetivo central do projeto é implementar o voto distrital misto a partir de 2034, mas a proposta tem gerado divisões profundas entre os deputados e ameaça inviabilizar o acordo costurado com o Centrão.
O modelo em debate prevê que metade das cadeiras da Câmara seja ocupada por candidatos eleitos em distritos específicos, enquanto a outra metade seria preenchida por listas partidárias. A estratégia de Motta é utilizar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para consolidar a mudança, tentando frear o crescimento do PL, que tem se beneficiado do atual sistema de lista aberta para eleger bancadas expressivas através de candidatos puxadores de votos.
A oposição ao projeto é liderada pelo PL e pelo Novo, que somam 103 deputados atualmente e devem chegar a 131 em fevereiro. O líder da oposição, deputado Cabo Gilberto (PL-PB), confirmou que as legendas votarão contra qualquer alteração no sistema. Paralelamente, parte do próprio Centrão resiste à ideia, temendo que o novo modelo fortaleça lideranças locais e governadores em detrimento de parlamentares do baixo clero.
Dentro da Câmara, surgem alternativas como o 'distritão', defendido por nomes como o deputado Igor Timo (Podemos-MG), que argumenta ser um sistema mais representativo. Enquanto isso, a federação PT-PCdoB, com 80 parlamentares, ainda não fechou uma posição formal. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) manifestou preocupação com a territorialização das eleições, alertando para o risco de maior influência de milícias e facções criminosas no processo político.
Em resumo
- O presidente da Câmara, Hugo Motta, articula a adoção do voto distrital misto via PEC a partir de 2034.
- O PL e o Novo, que ampliarão sua bancada para 131 deputados, posicionaram-se contra a reforma.
- Parlamentares divergem sobre modelos de transição, com alas do Centrão defendendo o 'distritão' em vez do sistema misto.
- A federação PT-PCdoB mantém cautela e ainda não definiu um posicionamento oficial sobre as mudanças.
Fonte: ICL Notícias

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