Política · Economia

Infraestrutura no novo mandato: Lula mira R$ 230 bilhões em concessões sob desafio dos juros

O governo federal planeja uma nova rodada de leilões em rodovias, ferrovias e portos, mas a viabilidade dos projetos esbarra na política de juros e na necessidade de aportes públicos.

Foto: Obra da Ferrovia Transnordestina Crédito: Divulgação (Transnordestina Logística S/A) · Original e licença

Com o início do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal projeta uma agenda robusta de concessões de infraestrutura, com investimentos estimados em R$ 230 bilhões. O plano, que abrange rodovias, ferrovias e portos, busca dar continuidade ao desenvolvimento logístico do país, embora enfrente um cenário econômico desafiador marcado por juros elevados e a necessidade de atrair capital privado.

O Ministério dos Transportes já sinalizou a realização de 19 leilões para 2027, sendo 11 voltados a rodovias e oito a ferrovias, totalizando R$ 214 bilhões. Somam-se a isso 17 projetos portuários sob análise da Antaq, que devem injetar outros R$ 16 bilhões no setor. Contudo, o segmento ferroviário, que concentra R$ 160 bilhões da carteira, é o que impõe maiores obstáculos devido aos altos custos iniciais e ao longo tempo de maturação dos projetos.

Especialistas apontam que a viabilidade dessas obras depende de uma solução para o financiamento, uma vez que o setor privado exige garantias de retorno em um ambiente de incerteza fiscal. Uma das alternativas em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU) é o subsídio cruzado, que utilizaria recursos de renovações antecipadas de contratos existentes para viabilizar novas construções.

Além da questão orçamentária, o mercado observa com cautela a política de juros e possíveis alterações nas debêntures incentivadas. Representantes do setor rodoviário, como Marco Aurélio Barcelos, da ABCR, alertam que mudanças no tratamento tributário desses títulos poderiam restringir o acesso a recursos essenciais para a continuidade das obras.

Em resumo

  • O governo prevê R$ 230 bilhões em investimentos via concessões para o novo mandato.
  • O setor ferroviário concentra o maior desafio financeiro, exigindo R$ 160 bilhões e possíveis aportes públicos.
  • O TCU avalia o modelo de subsídio cruzado para destravar novos trechos ferroviários.
  • Juros altos e incertezas sobre benefícios fiscais em debêntures preocupam investidores.

Fonte: Brasil 247

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaBispo Edir Macedo rompe com lema bolsonarista e prega nova hierarquia