Política

Isolamento à vista? PL corre risco de perder comando de comissões na Câmara

A estratégia de formação de blocos para a reeleição de Hugo Motta pode deixar o PL, maior bancada da Casa, em desvantagem na disputa por colegiados estratégicos.

Foto: Hugo Motta ao lado de bolsonaristas. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress · Original e licença

O Partido Liberal (PL) enfrenta um cenário de incertezas na Câmara dos Deputados. Com a maior bancada individual da Casa, somando 121 parlamentares após as eleições de 2026, a legenda corre o risco de perder protagonismo na escolha das presidências das comissões permanentes. O motivo é a articulação do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que busca a reeleição em 2027 através de um amplo bloco parlamentar.

O Regimento Interno da Câmara privilegia a proporcionalidade de blocos na distribuição de vagas e na ordem de preferência para o comando dos colegiados. Caso o PL opte por atuar isoladamente ou seja excluído das alianças majoritárias, a sigla pode ser relegada ao final da fila, dificultando o controle de comissões estratégicas, como a de Constituição e Justiça (CCJ), que já desperta o interesse do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

A formação do grupo de apoio a Motta, que pode reunir mais de 360 deputados, enfrenta resistências internas. A federação composta por PT, PCdoB e PV impôs uma condição clara para permanecer na base do presidente: a exclusão do PL e do Novo da aliança. Diante do impasse, Motta tem adotado cautela e prometeu consultar os partidos que já integram seu arco de alianças antes de definir a entrada de novas legendas.

Se o PL permanecer fora do 'blocão', o partido terá dificuldades para garantir espaços em comissões vitais, como Saúde, Educação, Finanças e Tributação e Segurança Pública. A disputa reflete a complexa engenharia política necessária para conciliar os interesses das diversas siglas que compõem a base de sustentação da presidência da Câmara.

Em resumo

  • O PL possui a maior bancada da Câmara, mas pode perder poder por não integrar o bloco de Hugo Motta.
  • A federação PT, PCdoB e PV condicionou sua permanência no grupo à exclusão do PL e do Novo.
  • O Regimento Interno prioriza blocos, o que coloca legendas isoladas em desvantagem na escolha de presidências de comissões.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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