Teoria de Stanford valida proposta de Lara Resende para baixar juros no Brasil
Pesquisador sênior da Universidade Stanford, John Cochrane, analisa a viabilidade da proposta de André Lara Resende para a redução da taxa Selic.

Foto: John Cochrane, pesquisador sênior da Hoover Institution, ligada à Universidade Stanford Crédito: Reprodução/Fundação Bradley · Original e licença
A proposta do economista André Lara Resende para reduzir a taxa básica de juros no Brasil ganhou um respaldo acadêmico de peso. John Cochrane, pesquisador sênior da Hoover Institution, ligada à Universidade Stanford, classificou o argumento como "economicamente sofisticado" e coerente com a teoria fiscal moderna.
O cerne da discussão reside na Teoria Fiscal do Nível de Preços, defendida por Cochrane. Segundo essa visão, a estabilidade inflacionária não depende apenas da política monetária, mas da percepção de que o governo conseguirá honrar seus compromissos financeiros com receitas futuras. Para o pesquisador, juros elevados podem, em certos cenários, alimentar a desconfiança sobre a sustentabilidade da dívida, gerando o efeito contrário ao desejado pelo Banco Central.
A estratégia de Lara Resende propõe a criação de um conselho fiscal e monetário para coordenar metas conjuntas, com uma redução gradual da Selic até o patamar de 7,5% ao ano em um período de 12 meses. Cochrane destaca que a composição da dívida brasileira, majoritariamente atrelada à taxa básica, favorece a transmissão rápida de uma queda de juros para o custo de financiamento do Estado.
Apesar de reconhecer a consistência teórica, o economista de Stanford impõe ressalvas cruciais. Para ele, o sucesso da medida depende inteiramente da credibilidade fiscal do país. Cochrane alerta que, sem reformas institucionais que garantam o compromisso com o ajuste das contas públicas a longo prazo, a redução dos juros pode não ser suficiente para conter pressões inflacionárias ou garantir a confiança dos investidores.
Em resumo
- John Cochrane valida a coerência teórica da proposta de Lara Resende para reduzir juros.
- O plano prevê a criação de um conselho coordenado e a queda da Selic para 7,5% ao ano.
- A eficácia da medida está condicionada à manutenção da credibilidade fiscal e sustentabilidade da dívida.
- O pesquisador enfatiza que a política monetária isolada não substitui a necessidade de reformas estruturais.
Fonte: Brasil 247

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.